A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) iniciou nesta terça-feira (24/02) a coleta de assinaturas para instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) com o objetivo de apurar esquemas de corrupção e conflitos de interesse relacionados ao processo de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

deputada estadual-PSOL/MG – Foto: Guilherme Bergamini
O pedido, também é subscrito por parlamentares de diferentes partidos, em especial do Bloco Democracia e Luta, e requer a constituição da CPI pelo prazo de 120 dias para investigar “os esquemas e atos de corrupção e demais crimes relacionados à desestatização da Copasa”, diante da existência de indícios de prática sistemática de corrupção na concessão de contratos de saneamento em diversos estados, com participação de agentes públicos e privados que atuam em Minas Gerais.
Delação premiada e renúncia após revelação pública
A justificativa do requerimento destaca que Hamilton Amadeo, então presidente do Conselho de Administração da Copasa, firmou delação premiada junto ao Ministério Público Federal (MPF), homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na qual admitiu participação em esquema de pagamento de propinas para obtenção e manutenção de concessões de água e esgoto em diferentes estados do Brasil.
Segundo o documento, mesmo após a delação e o acordo firmado com o MPF, Hamilton permaneceu no cargo até 12 de fevereiro de 2026, quando renunciou após a revelação do caso pela imprensa.
O requerimento aponta ainda que, poucos dias antes da divulgação do esquema, o atual presidente da Aegea Saneamento manifestou interesse na privatização da Copasa, enquanto o processo de modelagem da desestatização está sendo conduzido pelo Governo de Minas e pela própria companhia, com participação do então presidente do Conselho.
Para a deputada Bella Gonçalves, a permanência de um dirigente que admitiu envolvimento em esquemas de corrupção em cargo estratégico da estatal durante o processo de privatização “compromete a lisura do procedimento e coloca sob suspeita todo o processo”.
Conflitos de interesse e relação com fundos privados
O pedido de CPI também destaca a atuação de Guilherme Augusto Duarte de Faria, ex-diretor-presidente da Copasa, que renunciou ao cargo e passou a atuar no setor privado, mantendo-se como conselheiro da companhia. A justificativa aponta possível conflito de interesses e relações com fundos privados que detém a participação relevante no capital da estatal.
O documento menciona ainda a relação entre empresas do setor de saneamento e fundos financeiros em processos de privatização em outros estados, indicando a existência de um possível “modo de operação” para inserção de agentes privados no setor público com acesso a informações privilegiadas e influência sobre decisões estratégicas.
Defesa do patrimônio público
De acordo com o requerimento, os fatos narrados indicam a possível existência de um esquema nacional de corrupção envolvendo concessões de saneamento e atuação coordenada de agentes públicos e privados em conflito de interesses, com potencial de causar prejuízo ao patrimônio público mineiro.
“A Copasa é patrimônio do povo mineiro. Não podemos permitir que um processo de privatização seja conduzido sob a sombra de delações, conflitos de interesse e suspeitas de corrupção. A CPI é fundamental para garantir transparência, responsabilizar os envolvidos e proteger o interesse público”, afirma Bella Gonçalves.
A parlamentar defende que a investigação é urgente para evitar “maiores prejuízos ao patrimônio público e assegurar que eventuais irregularidades sejam devidamente apuradas e punidas”, conforme destaca o próprio requerimento.
Próximos passos
Com o número de assinaturas necessário, o pedido aguardará leitura em Plenário e instalação formal da comissão pela Presidência da ALMG. A CPI terá poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, podendo convocar depoentes, requisitar documentos e encaminhar conclusões ao Ministério Público.
Fonte: Assessoria Parlamentar Deputada Estadual Bella Gonçalves

