Reunião extraordinária discutiu resultados de análises de balneabilidade, situações de cachoeiras classificadas como impróprias e desafios do saneamento em comunidades rurais
A qualidade das águas das cachoeiras de Ouro Preto, o monitoramento de áreas de banho e os desafios do saneamento básico foram os principais temas discutidos na 3ª Reunião Extraordinária do Conselho Municipal de Saneamento de Ouro Preto (COMUSA), realizada na quarta-feira (9). Durante o encontro, foram apresentados resultados de análises de balneabilidade e debatidas situações específicas de localidades como Catarina Mendes, Castelinho e Tabuões, além da necessidade de ampliar o acompanhamento da qualidade da água e as ações de saneamento para comunidades rurais.
O COMUSA é o conselho responsável por acompanhar e discutir questões relacionadas ao saneamento no município. Na reunião, o professor Aníbal apresentou o trabalho de monitoramento da balneabilidade realizado em parceria entre UFOP, Prefeitura e Fundação Gorceix. O acompanhamento utiliza critérios da Resolução nº 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Segundo os dados apresentados, Catarina Mendes, Castelinho e Tabuões foram classificadas como impróprias em uma das avaliações recentes. Contraprovas foram realizadas nesses locais e apresentaram mudanças em alguns resultados, enquanto a equipe afirmou que ainda investiga as condições das áreas de drenagem e a possível influência das chuvas.
O debate também relacionou a qualidade da água às condições de saneamento nas regiões próximas às cachoeiras. Foram mencionadas localidades com propriedades que não possuem atendimento da concessionária e a necessidade de verificar, caso a caso, as formas de tratamento de esgoto utilizadas pelos moradores. Entre as alternativas discutidas estiveram biodigestores, fossas sépticas, filtros, sistemas de evapotranspiração e outras soluções individuais. O conselho também destacou que a instalação desses sistemas precisa ser acompanhada de manutenção, já que estruturas sem os cuidados necessários podem perder sua eficiência.
Durante a reunião, o professor Aníbal também relatou a identificação de microplásticos em avaliações de sedimentos de cachoeiras, inclusive em ambientes considerados preservados. Nesse contexto, o saneamento foi apontado como uma das medidas a serem consideradas para a melhoria da qualidade dos recursos hídricos.
Outro ponto discutido foi a situação da cachoeira Dom Bosco, próxima a Cachoeira do Campo. Segundo o relato apresentado, o local chegou a ser monitorado e recebeu classificação satisfatória em 2022, mantendo essa classificação até 2024, quando foi registrada uma avaliação como excelente. O acompanhamento, porém, foi interrompido depois que a área passou a ser propriedade privada e o acesso foi fechado. A possibilidade de discutir alternativas para o acesso da população também foi levantada.
A reunião tratou ainda da ampliação do monitoramento para outras regiões do município e para as bacias dos rios Doce e das Velhas. Foram citadas localidades como Santa Rita, Morais, Arrozal, Baú e Chapada. Também foi mencionada a existência de um Plano de Saneamento Rural e Desenvolvimento Rural Sustentável, além da necessidade de levantar informações sobre propriedades e localidades que não possuem atendimento de saneamento para avaliar soluções.
Ao final, representantes do conselho defenderam a continuidade do monitoramento e a busca por recursos para ampliar as ações. Também foi informado que o grupo de trabalho responsável pela análise dos produtos do plano prepara um relatório para apresentação ao conselho. Para a próxima reunião da subcomissão, está prevista a participação do superintendente da Saneouro, para discutir as perspectivas do saneamento nos distritos. A Secretaria também informou que pretende convidar moradores de Chapada e Catarina Mendes para discutir os resultados apresentados e as possíveis iniciativas para as regiões. Texto: Davi Saporetti


