Na foto: Cartaz Oficial do relançamento de 2026. Durante a exibição da nova versão em 4k, pudemos observar a textura do figurino e até da maquiagem da Imperatriz do Tijuco, interpretada por Zezé Motta
No último domingo, 28/06, foi exibido o longa-metragem de 1976 “Xica da Silva” de Cacá Diegues, no teatro do Centro de Convenções da UFOP. O filme será relançado nos cinemas no próximo dia 16 de julho, pelo selo “Sessão Vitrine Petrobras”, que promove a exibição de filmes nas salas de cinema do Brasil com o preço do ingresso tabelado em R$20,00 a inteira e R$10,00 a meia-entrada.
A 21ª CineOP promoveu no Encontro de Arquivos a “Apresentação de Cases de Restauro”, nesta terça-feira 30/06, no Auditório I, do Centro de Convenções da UFOP que discutiu os processos de restauração do filme para 4K, resolução compatível com as telas mais recentes do mercado. Na ocasião estiveram presentes Carla Domingues gerente executiva da Vitrine Filmes, Daniela Mazzilli diretora da Cinemateca Capitólio/RS, Débora Butruce, coordenadora técnica de restauro e Renata Almeida Magalhães, diretora-presidente da Academia Brasileira de Cinema.
Renata Almeida Magalhães, contou que se casou com o diretor Cacá Diegues poucos anos após ter saído “enlouquecida” da sessão em que assistiu ao filme “Xica da Silva” pela primeira vez, no Hotel Le Méridien Copacabana. Segundo Renata Almeida, o diretor do longa dizia que este filme era um “filme escola de samba”, que trazia o moderno com a música/trilha sonora mesclada ao tema histórico composto de cores vibrantes e figurinos e maquiagens como as carnavalescas.
A diretora-presidente da Academia Brasileira de Cinema ainda ressaltou aspectos atemporais deste filme e do trabalho de Cacá Diegues, segundo Renata, o Brasil sempre foi o tema dos filmes do Cacá, e os problemas abordados na década de 1970 pelos filmes, mesmo que históricos, remontando ao século XVIII por exemplo, ainda estão presentes hoje. Renata apontou que ao observar mais atentamente, “o caso do Banco Master está no Xica da Silva”. Renata também destacou que apesar de qualquer problemática levantada pela crítica na época, o filme é sobre uma mulher extremamente poderosa e humana por suas contradições, mas muito potente, o que desencadeou uma revolução no protagonismo e representatividade negra no cinema.
Segundo Carla Domingues, gerente executiva da distribuidora Vitrine Filmes, a escolha dos filmes a serem relançados partem do acesso ao arquivo e a possibilidade de restauração, além de sempre perguntar ao público qual seria o filme que gostariam de ver nas telonas mais uma vez, “eu costumo devolver a pergunta, quando me questionam qual vai ser o próximo relançamento”, comentou. O catálogo da Vitrine conta com títulos como: A Hora da Estrela, Durval Discos, São Paulo S/A, Saneamento Básico e Onda Nova, todos restaurados pela Vitrine exceto São Paulo S/A, este foi restaurado por uma iniciativa da Itália. Ela pontuou que apesar de se tratar de relançamentos, “alguns deles fizeram números de público nos cinemas maiores até que alguns filmes atuais”.
Segundo Débora Butruce, coordenadora técnica de restauro, o processo de restauração deste filme gerou um arquivo de cerca de 20TB, equivalente a vinte mil gigabytes, o que corresponderia a 20.000 pen drives de 1 Gigabyte cada. A restauração teve como base o arquivo já digital restaurado do original em um projeto também da Petrobras entre 2009 e 2011, em resolução 2k, o qual teve acompanhamento do diretor Cacá Diegues. Este arquivo restaurado há pelo menos 16 anos trazia alguns problemas de imagem herdados da película original de 35mm, como riscos e sujeiras. Foram utilizados programas de computador que realizam recuperação de trechos da imagem, cor e luminosidade.
“Xica da Silva” foi um sucesso de bilheteria que levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas em sua época. O filme marcou o cinema nacional ao resgatar a história de Chica da Silva, mulher negra que se tornou uma dama na sociedade de Diamantina durante o período colonial.
Estrelado por Zezé Motta com participações de Walmor Chagas, Elke Maravilha, Stepan Nercessian, Altair Lima, Rodolfo Arena e José Wilker, o filme conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília.
A atriz Zezé Motta, atualmente no ar em “A Nobreza do Amor’” novela das 18h da TV Globo, divulga o relançamento e a celebração dos 50 anos do filme em suas redes sociais frequentemente, que segundo ela em diversas entrevistas mudou sua história de vida.
Saiba Mais

CineOP: Angelo Oswaldo,
prefeito de Ouro Preto e
Zezé Motta, homenageada
da Mostra CineOP de 2009/Foto: Alexandre C. Mota/Divulgação

Ouro Preto. Diretor de diversos
filmes importantes como:
Quilombo, Xica Da Silva, Bye
Bye Brasil, Tieta do Agreste,
Orfeu, Deus é Brasileiro. Nasceu
em Alagoas, 1940 e partiu no Rio
de Janeiro, em 2025/Foto: Leo Lara/ Acervo Universo Produção
O longa havia sido exibido na abertura da 4ª Mostra de Cinema CineOP em 2009, com a presença do diretor e da diva Zezé Motta, intérprete de Xica da Silva, no dia 19/06 de 2009, data em que estive presente. Durante a 4ª Mostra o tema “Mulheres dos anos 70” foi debatido em mesa da temática histórica da mostra, com a participação do diretor e da atriz que também se apresentou em show, presenteando aos participantes e público da Mostra a oportunidade de viver em um cenário cinematográfico expandido, com a diva intensamente ativa e poderosa extrapolando as telas, pela cidade.
Por Luccas Castro
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