Escola Judicial estrutura jornada de letramento e ações educacionais afirmativas

A reflexão marcou a inauguração do “Programa Esperança – Educação para Equidade Racial”, desenvolvido pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef). Por meio dele, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) assume o compromisso institucional de combate ao racismo, com a educação para a equidade racial, dignidade humana e democratização do acesso à justiça. Na cerimônia de abertura, realizada na última terça-feira (18/08), o 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Manoel dos Reis Morais, ao destacar o pioneirismo da estrutura proposta pela Ejef com o “Programa Esperança”, defendeu ações que coloquem em prática as normas já existentes no cenário nacional e internacional:

Assim como todas as instâncias da Justiça brasileira (Estadual, Eleitoral, do Trabalho, Federal, Militar e Tribunais Superiores), é signatário do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial (TCT nº 053/2022).As ações educacionais do “Programa Esperança” se ancoram nas resoluções nº 203/2015, nº 336/2020 e nº 519/2023, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) , além do Indicador de Desempenho na Promoção da Equidade Racial (Iper), que mede o compromisso dos tribunais brasileiros com o combate ao racismo e à desigualdade racial. O superintendente-adjunto da Ejef, desembargador Enéas Xavier, que na cerimônia representou o presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, acrescentou como a ação educacional integrada e perene representa a mudança de comportamento do Judiciário, “não mais inerte, mas assumindo o seu papel de minorar desigualdades sociais históricas do país”. Ao parabenizar o Programa, o magistrado também reforçou: “muitas vezes ouvimos sobre meritocracia. Mas não há como falar de meritocracia quando o ponto de partida é muito distante entre as pessoas”.

O programa foi estruturado a partir de ações integradas de letramento e ocupação dos espaços de poder (Crédito: Pollyanna Bicalho / TJMG)

Pilares estruturantes

Dividido em dois momentos, o lançamento contou com uma reflexão coletiva sobre letramento racial, estruturas de poder, ações afirmativas para promoção da equidade, processos de heteroidentificação, desafios e o círculo virtuoso da inclusão. O momento foi conduzido por membros do Comitê Gestor do Programa: a diretora de Gestão da Informação Documental (Dirged), Simone Meireles, e a juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Viçosa, Isadora Nicoli da Silva. O segundo momento foi dedicado à apresentação, em detalhes, da estrutura das ações do “Esperança”. A juíza auxiliar da 2ª Vice-Presidência, Aline Damasceno Pereira de Sena, explicou os quatro pilares de atuação do Programa:

  • Formação e desenvolvimento de competências e letramento racial;
  • Pesquisa e produção de conhecimento: geração, sistematização e disseminação de dados;
  • Diversidade e representatividade docente: garantia de representatividade na educação judicial;
  • Acesso afirmativo à magistratura: uma jornada de preparação.

O Curso Preparatório Esperança para ingresso na magistratura será realizado entre os meses de setembro e novembro. Os detalhes e o edital para participação, também divulgados na última terça-feira, podem ser conferidos na página da Ejef.

A magistrada Aline Damasceno destacou a característica ampla da inciativa, voltada para o público interno, com competências profissionais focadas em equidade, bem como no público externo, incentivando a diversidade e representatividade dos docentes da Escola Judicial e dos candidatos que se preparam para ingressar na magistratura.

Esperança Garcia

O nome “Programa Esperança” é inspirado em Esperança Garcia, reconhecida como a primeira advogada brasileira, mulher negra escravizada, cuja trajetória representa marco histórico na defesa dos direitos, da dignidade humana e do acesso à justiça.Ao comentar o nome do Programa, a juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Viçosa e integrante do Comitê Gestor do Esperança, Isadora Nicoli da Silva, frisou:“Compreendemos o passado, olhamos para o presente. O que nós vamos fazer para transformar o futuro? Quando o TJMG se posiciona por meio deste Programa, quer trazer essa discussão não apenas no enfrentamento de suas decisões, mas se posicionar também como agente de transformação”.Além de servidores e colaboradores da Ejef e magistrados do TJMG, a cerimônia de lançamento contou com a presença de representantes da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG), de docentes e pesquisadores da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da PUC Minas.O evento foi transmitido pelo YouTube da Ejef. A cobertura fotográfica pode ser acompanhada no Flickr da Escola Judicial.

Fonte: Assessoria TJMG

Foto destaque: Simone Meireles (esq.) e a juíza Isadora Nicoli (dir.) integram o Comitê Gestor do Programa, com estudos direcionados à equidade racial (Crédito: Pollyanna Bicalho / TJMG)