Parlamentar pede apuração de possível troca de favores: às vésperas da reeleição de Zema, Partido Novo recebeu R$ 1 mi de Henrique Vorcaro; em 2022, Zema decretou expansão de crédito consignado em MG, beneficiando o produto “Credcesta”, produto vendido pelo Banco Master

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), protocolou nesta quinta-feira (14/05) uma Notícia Crime junto à Polícia Federal (PF) solicitando a apuração de possíveis irregularidades envolvendo o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), e a família Vorcaro, envolvida no maior esquema de golpe no sistema financeiro da história do Brasil. A fraude liderada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, movimentou R$ 12 bilhões, causou prejuízo de mais de R$ 41 bilhões para o Brasil e lesou mais de 1,6 milhão de brasileiros. 

A denúncia revela indícios de corrupção praticados pelo ex-governador, como atos políticos e administrativos em provável retribuição a doadores de campanha. Nas vésperas da eleição de Zema, o Partido Novo recebeu R$ 1 milhão em doações de Henrique Vorcaro, que foi preso nesta quinta-feira (14/05), no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, por suspeita de envolvimento no golpe comandado por seu filho, Daniel Vorcaro.

De acordo com o documento, em 16 de setembro de 2011, Zema sancionou a Lei nº 23.923 que autorizou o Poder Executivo a ampliar as margens de consignação em folha de pagamento de servidor público ativo ou inativo e de pensionista estadual em mais 10%, com destinação exclusiva a cartão benefício consignado. A medida foi regulamentada pelo Decreto nº 48.370, de 22 de fevereiro de 20222, editado pessoalmente pelo então governador Romeu Zema. 

A Notícia Crime considera que esses atos podem ter sido realizados como troca de favores entre Zema e a família Vorcaro e relembra que a troca de medidas políticas e administrativas por financiamento de campanha não é nova no Governo de Romeu Zema, uma vez que, igualmente, recebeu doação de campanha de Salim Mattar, dono da Localiza Rent a Car, tendo o doador sido beneficiado com cargo e a empresa com benefícios fiscais na sua gestão. 

O documento apresentado pela deputada também solicita que a Polícia Federal apure eventual reprodução do mesmo padrão de favorecimento institucional em âmbito federal, durante o governo Jair Bolsonaro, diante das notícias de alterações em normas do INSS relacionadas ao crédito consignado em período concomitante à atuação do Banco Master junto à autarquia previdenciária.

“Tudo indica que as condutas do então governador estão inseridas em um esquema mais amplo de atuação do Master, consistente em fazer doações de campanha e em troca, ser beneficiado pela gestão, uma vez que financiou não apenas a campanha de Romeu Zema ao Governo do Estado, mas também a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República e foi, por ambos, beneficiado da mesmo forma, em período próximo”, sinaliza o documento. 

Fonte: Assessoria Deputada Estadual Bella Gonçalves 

Foto: Guilherme Bergamini/ALMG