Ouro Preto – A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) realizou quarta-feira, 26/11, a solenidade de entrega da outorga do título de Doutor Honoris Causa à ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, ao ex-ministro Nilmário Miranda e ao prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo.
O reitor da Ufop, Luciano Campos, disse que a universidade tem muitas portas abertas por sua tradição, mas que a instituição também é mudança, ele comemorou a construção do hospital Universitário em Mariana, o campus em Ipatinga, que terá seu primeiro curso de Pedagogia em abril de 2026, neste mês devem iniciar as obras do Cine Vila Rica e do Centro de Convergência no campus Morro do Cruzeiro. “É uma universidade que pensa grande, neste mês foi assinada a construção do hospital universitário da Ufop”, afirmou Luciano.
Para homenagear a Ministra, o artista Maurício Tizumba e a Guarda de Moçambique de Ouro Preto se apresentaram e animou a plateia, que cantou junto “é ouro, é ouro, povo preto de Ouro Preto é ouro”.
O primeiro a discursar foi Angelo Oswaldo, ele recebeu o título pelos serviços prestados à Cultura e à educação com diversos apoios à universidade, como a destinação do parque metalúrgico para a UFOP, na presidência de Itamar Franco, que se tornaria o centro de Convenções com recursos captados pela Lei Rouanet.
O prefeito fez um retrospecto sobre a implantação da primeira universidade ainda no tempo do império, que teria Minas Gerais como estado mais adequado devido à capacidade de sua população de mantê-la. Lembrou que das escolas de Minas e de Farmácia, no século XIX, haviam estudantes engajados nos movimentos abolicionistas e republicanos. Informou que a primeira mulher a diplomar-se em Farmácia foi a paraibana, Maria de Vasconcelos, em 1889 e na escola de Minas a primeira mulher foi diplomada em 1957, Maria José de Oliveira Castro, natural de Diogo de Vasconcelos. Citou que Afonso Penna, negou a indicação aos Supremo Tribunal Federal, para se dedicar à Escola de Direito em Ouro Preto, que posteriormente foi transferida para a capital reunida com outras escolas de ensino superior em 1927, e em 1965 passa a ser denominada UFMG.
Nilmário Miranda iniciou seu discurso oferecendo seus livros à universidade, disse que muitos fazem referência a Ouro Preto, como no livro “Os filhos deste solo’, que conta a história de 434 brasileiros que foram assassinados ou desaparecerem pela ditadura Militar. Ele dedicou o título aos ouro-pretanos vitimas da ditadura. “Esta aqui Elba Goulart, que é irmã de José Gomes Goulart, que é um desses ouro-pretanos. Antônio Carlos Bicalho Lana, e o Elcio Pereira Fortes, três verdadeiros heróis do povo brasileiro”. A doação dos livros é uma forma de lutar contra o apagamento da história.
Macaé Evaristo em seu discurso contou sobre sua trajetória, disse que sua mãe, Maria Antônia, que ficou viúva quando ela tinha 10 anos, fez uma aposta pela educação, sendo ela e suas irmãs professoras da educação básica. Ela fez questão de apresentar sua família, pediu à sua mãe que se levantasse, juntamente com suas irmãs, cunhados e sobrinhos.
A ministra explicou que quando chegou na gestão da educação em Belo Horizonte, sempre fez a gestão pública de forma coletiva, que uma das primeiras tarefas foi a ampliação de vagas para as crianças. “Famílias dormiam na fila para ter um lugar na escola para as crianças aos 7 anos”, ressaltou que a educação é um direito.
“Portanto esse título não é uma conquista de luta individual, ele é coletivo e aqui a gente está fazendo isso de maneira compartilhada, com o amigo Nilmário Miranda, esse defensor dos direitos humanos, com o Angelo Oswaldo defensor da cultura, que traz essa compreensão da Cultura como o direito humano fundamental e hoje, mais do que nunca a gente precisa construir uma cultura de direitos humanos no nosso país, porque sem fortalecermos essa ideia a cultura dos direitos humanos nós estaremos sempre suscetíveis a ventos conservadores”.
Macaé disse que em seu trabalho no Ministério dos Direitos Humanos, juntamente com o Ministério do Trabalho e Emprego, resgataram mulheres negras em situação análoga a escravidão.

Por Marcelino Castro

