Uma manifestação, batizada pela comunidade de “Ato em defesa dos direitos de Antônio Pereira”, está prevista para acontecer na tarde de 15 de outubro, em frente ao Fórum de Ouro Preto. Organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o ato tem por objetivo chamar atenção do Judiciário e do Ministério Público para pautas urgentes ligadas à garantia de condições de dignidade para as moradoras e moradores do distrito. A população, atingida pelo risco de rompimento e pelas obras de descaracterização da Barragem Doutor, destaca reivindicações como o acesso à saúde e a garantia de água limpa suficiente para a manutenção da vida na comunidade.

Stephanne Biondo, coordenadora do MAB em Minas Gerais, convida a comunidade a se engajar neste ato e relembra alguns dos principais danos causados pela mineração predatória em Antônio Pereira. “Estamos falando dos danos à saúde da população, da falta de reconhecimento e de respostas às garimpeiras e aos garimpeiros tradicionais, das demandas das famílias removidas e da luta pelos direitos dos familiares das pessoas que morreram em decorrência dos impactos da mineração”, afirma.

Além disso, as questões ambientais, especialmente em relação à poeira, estão no centro da pauta. A comunidade demanda que os pontos de monitoramento da qualidade do ar sejam realocados para locais considerados críticos, capazes de dar uma dimensão real do impacto da poluição do ar causada pela mineração no distrito.

A efetividade do levantamento de danos causados pela Barragem Doutor, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que atua como perita da Justiça no processo movido contra a Vale e a exigência pela implantação de medidas de prevenção e mitigação dos impactos da mineração, também constam na lista de reivindicações dos participantes do ato. “Esse é o momento importante para nos unirmos, levarmos nossas reivindicações e mostrarmos que a comunidade não vai desistir de lutar pelos seus direitos. É hora de cobrar justiça, reparação e respeito”, enfatiza Stephane Biondo.

O ato pacífico conta também com o apoio de outras organizações e movimentos sociais como a Frente Mineira de Luta das Atingidas e dos Atingidos pela Mineração (FLAMa-MG), o Instituto Guaicuy e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Fonte: Instituto Guaicuy


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