Área prevista para expansão no debate do Plano Diretor reúne fragilidade ambiental, valor turístico e limitações de acesso à sede do município
A possibilidade de ampliação do núcleo urbano de Ouro Preto em uma área situada acima do bairro Morro Santana, na zona de amortecimento do Parque Natural Municipal das Andorinhas, mobilizou preocupações durante a audiência pública de revisão do Plano Diretor realizada no dia 06 de abril. A proposta, apresentada no mapa de zoneamento urbano, levantou questionamentos sobre impactos ambientais e sobre a capacidade de acesso à região, já marcada por vias estreitas e circulação limitada.
A área em debate reúne diferentes camadas de proteção ambiental. Além de estar na zona de amortecimento do Parque Natural Municipal das Andorinhas, uma faixa criada para reduzir impactos sobre a unidade de conservação, o trecho também integra uma Área de Proteção Ambiental (APA) e está dentro do complexo arqueológico que vai do Morro da Queimada ao Gogô. Na prática, trata-se de uma área ligada à proteção de nascentes, história, e cultura, além de recarga hídrica e manutenção da paisagem natural de um dos principais cartões-postais do ecoturismo ouro-pretano.
O local chama atenção por reunir espécies raras e endêmicas, muitas restritas à Serra de Ouro Preto. É uma região rica em espécies, e ali existem várias plantas que só é possível encontrar naquele alto de serra. Além disso, a área concentra recarga hídrica e aquíferos que alimentam nascentes ligadas ao parque, ao Rio das Velhas e ao Rio Doce.
A sobreposição de mecanismos de proteção reforça a necessidade de cautela no planejamento urbano. Tem vários instrumentos legais de proteção nesta localidade, o parque municipal, a APA, áreas de preservação permanente e remanescentes de Mata Atlântica, etc. Assim, a revisão do Plano Diretor deveria priorizar a conservação das águas, da biodiversidade, da cultura e da paisagem local.
Além da questão ambiental, o crescimento urbano no alto da serra reacendeu o debate sobre mobilidade. Atualmente, os bairros da região dependem de acessos já considerados precários, feitos por vias estreitas, com trechos residenciais e circulação compartilhada entre veículos e pedestres. Moradores convivem diariamente com dificuldades de entrada e saída, especialmente em horários de maior movimento.
Com a criação de um novo bairro com centenas ou milhares de novas residências, a tendência seria de aumento expressivo no fluxo de carros, motos, caminhões de serviço e transporte público, pressionando ainda mais uma malha viária limitada e com poucas alternativas de ligação à sede de Ouro Preto. A preocupação também envolve o atendimento de urgência, transporte escolar e deslocamentos cotidianos.
Durante a audiência, participantes defenderam que a revisão do Plano Diretor considere não apenas a expansão habitacional, mas também a capacidade real de infraestrutura urbana e a preservação de áreas estratégicas para o município. As contribuições apresentadas devem integrar as próximas etapas de elaboração do documento, que seguirá em discussão antes de se transformar em projeto de lei.



