Dois anos após a homologação do Novo Acordo do Rio Doce, a Samarco destinou R$ 44,3 bilhões às ações de reparação. O valor se soma aos R$ 38,3 bilhões executados anteriormente pela extinta Fundação Renova, totalizando R$ 82,6 bilhões desde 2015. O montante acumulado corresponde a quase metade dos R$ 170 bilhões previstos no Novo Acordo, que estabelece recursos para iniciativas ao longo dos anos, com responsabilidades e cronogramas definidos para sua execução. O avanço das obrigações consolida o fluxo de recursos para programas e projetos ao longo da Bacia do Doce, sobretudo após a adesão de mais municípios elegíveis ao Novo Acordo. Em entrevista ao Diário de Ouro Preto, Mariana Lisbôa, diretora de Sustentabilidade, Relações Governamentais e Comunicação da Samarco, fala sobre os avanços, os desafios e os próximos passos da reparação em Minas Gerais e no Espírito Santo.

1. Dois anos após a assinatura do Novo Acordo do Rio Doce, qual é o balanço da Samarco sobre os avanços na reparação?
Mais do que números, estamos falando de pessoas e comunidades que estão no centro desse processo. O Novo Acordo trouxe uma nova estrutura para a reparação, mais previsibilidade e segurança jurídica, o que permitiu avançar de forma consistente ao longo da Bacia do Rio Doce, com foco nas pessoas e no meio ambiente. Desde a homologação do Novo Acordo, já foram destinados R$ 44,3 bilhões, entre obrigações de fazer e de pagar. Considerando todo o período desde o início das ações de reparação, em 2015, são R$ 82,6 bilhões destinados, o que representa cerca de metade do valor previsto no Novo Acordo.
Temos resultados importantes, especialmente no pagamento de indenizações e auxílios financeiros. Desde a assinatura do Novo Acordo, 357 mil pessoas receberam R$ 18,5 bilhões. Desse total, o Programa Indenizatório Definitivo (PID) destinou R$ 11,7 bilhões a 321,2 mil pessoas físicas e jurídicas elegíveis. Ao todo, 648 mil pessoas foram atendidas desde 2015. Na frente dos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, todas as 395 obras foram concluídas, entre elas os 22 bens públicos para atender à população. Esses resultados mostram a dimensão do que já foi realizado e deixam claro que a reparação é um processo de longo prazo, com diferentes frentes que continuarão sendo executadas nos próximos anos.
2. Minas Gerais tem uma participação importante nesse processo. Quais recursos já foram destinados para o Estado dentro do Novo Acordo?
Desde a homologação, cerca de R$ 4,4 bilhões já foram destinados ao Estado e aos municípios mineiros aderentes ao Acordo para diferentes políticas públicas e ações de reparação, considerando as obrigações de pagar. Esses valores são destinados a compromissos que incluem investimentos em infraestrutura, saúde, educação, meio ambiente e outras políticas públicas, com execução conforme as regras e os cronogramas estabelecidos no acordo, ao longo dos próximos anos. A reparação também alcança o Espírito Santo, com recursos e obrigações definidos para os diferentes territórios. Buscamos contribuir para ações que deixem resultados positivos e que permaneçam nos municípios ao longo do tempo.
3. Mariana aderiu recentemente ao Novo Acordo, que agora reúne 45 dos 49 municípios elegíveis. O que esse movimento representa para a reparação na região?
A adesão de Mariana é importante porque o município passa a ter direito ao conjunto de recursos e obrigações previsto no Novo Acordo. São cerca de R$ 1,3 bilhão para Mariana. Mas é importante olhar também para o movimento conjunto com a adesão dos 19 municípios, em agosto deste ano, quando o acordo passou a abranger 45 dos 49 municípios elegíveis. Esses 19 municípios que aderiram recentemente receberam, em setembro, R$ 422 milhões para implementação de políticas públicas em áreas como educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Essa adesão ampla reforça o Novo Acordo como um caminho construído dentro da Justiça brasileira para dar continuidade à reparação, com segurança jurídica e previsibilidade para os municípios. Também reafirma a soberania da Justiça brasileira e a importância da construção de soluções consensuais e duradouras para a Bacia do Rio Doce. Esses recursos se traduzem em políticas públicas e melhorias concretas para os territórios.
4. Além da proximidade da finalização das indenizações e da conclusão dos novos distritos, quais são os principais resultados na área ambiental?
A reparação ambiental é uma frente de longo prazo, que exige planejamento, coordenação e compromisso contínuo. O trabalho executado envolve não apenas a recuperação de áreas, mas também a proteção de nascentes, a restauração ambiental, a conservação da biodiversidade e o monitoramento dos resultados ao longo do tempo. Alcançamos 96% da meta de cercamento das áreas de reflorestamento compensatório e 94% da meta de proteção de nascentes, o que representa mais de 47,9 mil hectares protegidos para restauração ambiental e 4,6 mil nascentes sob ações de proteção. Também avançamos nas ações de compensação, monitoramento e acompanhamento ambiental. Os estudos de monitoramento da qualidade da água e dos sedimentos indicam que a qualidade da água bruta está em condições similares às registradas antes do rompimento, tendo o tratamento de esgoto como um dos principais desafios para sua melhoria. O trabalho de recuperação ambiental seguirá para garantir resultados duradouros e benefícios para as próximas gerações.

5. Olhando para os próximos anos, qual é a perspectiva para a reparação e quando será possível considerá-la concluída?
O Novo Acordo estabeleceu uma agenda de longo prazo justamente porque muitas das ações precisam de tempo para serem executadas e acompanhadas, especialmente por meio de recursos destinados a políticas públicas. Algumas frentes já estão avançadas, enquanto outras seguirão pelos próximos anos. O importante é que existe hoje um planejamento, recursos definidos e responsabilidades estabelecidas.
A reparação é um compromisso de longo prazo da Samarco, que seguirá cumprindo integralmente as obrigações assumidas, mantendo o diálogo com municípios e comunidades e trabalhando para que esse processo deixe resultados concretos e duradouros em Minas Gerais e no Espírito Santo.
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