Na manhã do feriado de 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, a cidade de Ouro Preto foi palco de uma manifestação reivindicando direitos trabalhistas, com destaque para o apoio à redução da jornada de trabalho de 6 para 5 dias, sem que haja redução de salário ou aumento de horas trabalhadas ao dia. O ato contou com a presença e apoio de lideranças do movimento estudantil, sindical, aposentados, atingidos por barragens e representantes de partidos de esquerda como PT, PCdoB, PCB, UP e PSOL.
A manifestação teve início no Largo da Alegria e após pouco mais de uma hora de concentração, seguindo o trajeto rumo à Praça Tiradentes pelo percurso Rua São José – Largo do Cinema – Rua Direita. O protesto contou com cartazes, reivindicações e palavras de ordem, recebendo a atenção de turistas, moradores e trabalhadores. O ato contou também com uma homenagem ao jornalista ouropretano Helcio Fortes, ativista político assassinado pela Ditadura Militar em 1972 por se opor ao regime ditatorial.
Chegando na Praça Tiradentes, os manifestantes fizeram rodadas de falas, discursando sobre o impacto da escala 6×1 na vida dos trabalhadores. Um tema recorrente foi o impacto da jornada nas famílias, com pais tendo que sacrificar o tempo com a família devido às longas jornadas de trabalho. O problema foi apontado tanto por trabalhadores quanto por estudantes secundaristas, que relataram sentir falta do tempo com os pais devido ao trabalho excessivo.
Entre as lideranças sindicais que discursaram estava Rodrigo Ribeiro, 2° Secretário da Associação dos Docentes da UFOP (ADUFOP). Em discurso, o dirigente apontou o grande capital como responsável pelos entraves na luta pela revogação da jornada 6×1: “Os grandes empresários não querem, né? Reduzir a jornada de trabalho, não querem dar dignidade para os trabalhadores, porque boa parte dos seus lucros provém desse trabalho explorado dos trabalhadores.”. Em entrevista para o Diário, Rodrigo também demonstrou solidariedade aos servidores técnico-administrativos da UFOP, atualmente em greve pelo cumprimento do acordo de 2024.
Maurício, membro da direção do SINASEFE, sindicato que representa os servidores do IFMG, acrescentou que o alarmismo apontado por opositores à redução da escala de trabalho se assemelha ao visto durante outros avanços trabalhistas, “Quando da abolição da escravatura o Brasil ‘ia quebrar’; quando foi instalado a CLT, o Brasil ‘ia quebrar’. Em 62, nesse terceiro, o Brasil ‘ia quebrar’, e quando veio a Constituição Federal de 88 que passou de 48 para 44 horas de trabalho, o Brasil ‘ia quebrar’ e não quebrou”.
Uma das várias lideranças estudantis que discursaram no movimento foi Laísse Azevedo, militante da União da Juventude Revolução e estudante do curso de Letras da UFOP que integra o Centro Acadêmico de Letras e o DCE da UFOP. Em entrevista, Laísse falou sobre a importância dos movimentos estudantis para a sua formação política e ressaltou o papel das questões trabalhistas dentro do meio acadêmico como no caso dos estágios não-remunerados obrigatórios: “na letras, a gente tem quatro estágios e na maioria das licenciaturas é quatro estágios. […] o tempo dela para ter um estudo de qualidade vai ficando cada vez mais escasso né e insustentável”.
O ato contou também com representantes partidários, com discursos de Aída Anacleto, que preside o Partido dos Trabalhadores (PT) de Mariana, e Maria da Glória, vice-presidente do PT ouropretano. Em seu discurso, Aída parabenizou os estudantes pela iniciativa da mobilização e defendeu os servidores públicos em greve, com destaque para os da rede estadual de educação, atualmente em greve em oposição às políticas privatistas de Zema e Simões. Já Maria da Glória destacou em entrevista para o Diário a atuação do partido em Ouro Preto pelo fim da escala 6×1 e pela defesa da consciência de classe entre os trabalhadores, tema também defendido pela dirigente em discurso.
Os temas discutidos se alinham com as pautas defendidas pelo Movimento VAT – Vida Além do Trabalho, que promoveu manifestações em mais de 40 cidades pelo Brasil em reivindicação por direitos trabalhistas. Além de Ouro Preto, as cidades mineiras de Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora, Uberaba, Montes Claros, Divinópolis e Araguari também receberam protestos similares em apoio ao fim da jornada 6×1, melhores condições de trabalho e conscientização dos trabalhadores.

Atualmente a PEC 8/2025, que busca acabar com a jornada 6×1 segue em tramitação na Câmara Federal, tendo sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça em abril. Com esse avanço, a proposta da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) segue para uma comissão especial presidida pelo deputado Alencar Santana (PT-SP) e relatada por Leo Prates (Republicanos-PB). A expectativa é que a Proposta de Emenda Constitucional seja votada ainda em maio, contando com o apoio de lideranças partidárias.
Reportagem e fotos por Anahí Santos

