As mineradoras Cedro Mineração e Samarco podem trazer até 10 mil novos trabalhadores para Mariana nos próximos anos com seus planos para o futuro. A Samarco busca retomar sua capacidade operacional total até 2028 e espera a chegada de 9 mil trabalhadores até 2031, com a retomada sendo fruto de um investimento de 13,8 bilhões. Por sua vez, a Cedro Mineração espera um aumento de 1 mil trabalhadores com a ampliação de suas atividades através de um novo investimento de R$3,5 bilhões. Apesar das empresas alegarem prioridade na contratação de mão de obra e fornecedores locais, a possível chegada de milhares de novos trabalhadores preocupa lideranças políticas e sociais.
A chegada de 10 mil novos trabalhadores aumentaria em 15,5% a população de Mariana, causando impacto nos serviços públicos da cidade, que precisam rapidamente se adaptar a um aumento expressivo na demanda. A expansão das mineradoras também traria impactos no mercado de trabalho, que atualmente conta com 23,6 mil postos de trabalho formal em Mariana, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa expansão aumentaria em 42% o número de trabalhadores formais da cidade, levando a uma maior concentração dos postos de trabalho nas áreas de mineração, transporte, engenharia e infraestrutura. Esse crescimento também implicaria em mudanças no setor de serviços para atender a demandas do setor de mineração, como fornecimento de alimentos, equipamentos e outros serviços.

Devido a esses impactos, vereadores vêm expressando preocupação com essa possibilidade e os impactos nas áreas de saúde, educação, assistência social e habitação, sobretudo no aumento do aluguel na cidade. Nesse sentido, uma das iniciativas tomadas foi o Requerimento N° 136/2026 do vereador Ronaldo Bento (PSDB), que recebeu apoio dos colegas e requer uma reunião do poder público com as mineradoras Samarco, Cedro, Mineração do Cal, Roca Mineração e MG Mineração de Tampos para tratar dos impactos da expansão.
Procurada pela reportagem, a Samarco informou no último dia 24 que não havia recebido o requerimento por parte da casa mas que “permanece à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer informações que venham a ser solicitadas”. Apesar disso, a assessoria do vereador Ronaldo Bento nos informou no dia 30 que não haviam recebido atualizações em relação ao requerimento, de modo que a câmara ainda espera uma resposta das mineradoras.
A retomada operacional da Samarco prevê a revitalização e expansão de setores da Unidade de Germano (localizada entre Mariana e Ouro Preto), incluindo a construção de uma nova pilha de disposição de rejeito. Já a expansão da Cedro Mineração resultaria num aumento de 700% na produção anual de minério bruto até 2032, com a produção anual saindo de 2,5 milhões de toneladas para 20 milhões em apenas 6 anos.
Em nota enviada à reportagem, a Cedro informou que “mantém uma atuação social permanente nos municípios onde está presente, com apoio a mais de 60 iniciativas nas áreas de educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social e infraestrutura urbana. Desde 2020, a companhia já destinou mais de R$ 80 milhões a projetos sociais e obras de interesse coletivo em comunidades de Nova Lima, Mariana e Ouro Preto, contribuindo para o desenvolvimento local e a melhoria da qualidade de vida da população”, com essas ações, a empresa espera mitigar o impacto socioambiental trazido pelas suas atividades minerárias.
Reportagem por Anahí Santos
Foto: Simião Castro / Revista Dois Pontos (Licença Creative Commons de uso livre)
Descubra mais sobre Diário de Ouro Preto
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


