O assessor parlamentar Eric Dias de Souza foi desligado da Câmara na última terça-feira (27) por declarações LGBTfóbicas e de ódio em suas redes sociais. Eric era assessor do vereador Samuel de Padre Viegas (Republicanos) desde março de 2026 e atuava como servidor de apoio administrativo e financeiro. O caso ganhou atenção após denúncia do coletivo Mães da (R)existência, composto por mães e pessoas LGBTQIAP+ que atuam na luta por políticas públicas em Mariana/MG e região.
No post, Eric declarava voto à Flávio Bolsonaro junto ao comprovante de votação do segundo turno e proferiu declarações preconceituosas e defendeu que ocorresse uma perseguição no caso da eleição de Flávio, dizendo “Bolsonaro ganhando vão caçar vocês, exterminar os gays, acabar com a democracia, o discurso de ódio… o discurso de ódio não”. Ao jornal Diário de Ouro Preto, o coletivo Mães da (R)existência afirmou que o perfil de Eric possuía outras declarações de teor similar que teriam sido excluídas após a repercussão do caso. No direito penal, falas LGBTfóbicas se equiparam ao crime de injúria racial, inafiançável e imprescritível com pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa.
O caso também chamou atenção do Conselho Municipal de Direitos LGBTQIAPN+ de Mariana, que se manifestou em repúdio às declarações de Eric, afirmando que “Atentados e ameaças à vida da nossa comunidade não serão naturalizados ou tratados como ‘mera piada’ ou ‘provocação política’. Referências à violência e ao extermínio de pessoas homoafetivas atentam diretamente contra a dignidade humana, a igualdade e a Constituição Federal de 1988.”. O conselho também notificou o Ministério Público (Ofício n°07/2026), acionando o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG – Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana) para a apuração da possível prática de LGBTfobia (Lei nº 7.716/1989 e ADO nº 26/STF) e eventual responsabilização legal.
Após a divulgação do caso, os vereadores Pedro Sousa, Ítalo de Majelinha, Ronaldo Bento, Fernando Sampaio, Ediraldo Ramos, Zezinho Salete e o próprio vereador Samuel também declararam solidariedade à população LGBTQIAPN+ de Mariana. Também se manifestaram contra o caso de homofobia as ex-vereadoras Aída Anacleto e Beth Cota.
À reportagem, o gabinete do vereador declarou que “A exoneração do assessor foi uma medida diante da gravidade da situação e da incompatibilidade dessas manifestações com os princípios que o Vereador Samuel defende.”, afirmando ainda que “refletir na postura de quem integra o mandato e reforça a importância do respeito à dignidade humana e aos direitos da população LGBTQIAPN+” Quando perguntado se o vereador teria ciência do comportamento e das falas do assessor, o gabinete de Samuel de Padre Viegas afirmou que o vereador “não tinha conhecimento prévio dessas publicações e não havia recebido manifestações anteriores do assessor nesse sentido”, declarando ainda que ele “não compactua com esse tipo de discurso, que atinge a dignidade e os direitos da população LGBTQIAPN+”.
Em nota, a Câmara Municipal de Mariana afirmou que se compromete com a defesa dos direitos humanos e com o respeito a todas as pessoas e que “esses princípios orientam a atuação do Legislativo e a responsabilidade de seus integrantes perante a população”. A Câmara também afirmou que o desligamento teve efeito na terça-feira do dia 27 de outubro e que a solicitação do desligamento “foi apresentada de imediato pelo parlamentar, antes que a Câmara instaurasse sindicância sobre o episódio”.
Na mesma nota, a Câmara também afirmou que “reconhece a importância das manifestações do movimento Mães da (R)existência e das demais pessoas que solicitaram esclarecimentos e providências.
Reportagem por Anahí Santos
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