Serviço foi interrompido em 25 de maio e prejudica alunos de distritos como Amarantina, Santo Antônio do Leite, Glaura e Cachoeira do Campo

Mudanças nas rotas do transporte escolar e coletivo utilizadas por estudantes têm causado impactos na rotina acadêmica de alunos do Colégio Técnico Inconfidente Álvares Maciel (Coltec) que vivem em distritos de Ouro Preto. Segundo a vereadora Lílian França, o problema passou a ser registrado após alterações implementadas em 25 de maio, afetando estudantes que dependiam do ônibus que fazia a ligação entre o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), no bairro Bauxita, e os distritos de Cachoeira do Campo, Santo Antônio do Leite e Amarantina. O tema foi levado ao plenário da Câmara Municipal durante a 30ª Reunião Ordinária, realizada em 26 de maio, quando a parlamentar cobrou esclarecimentos e alternativas para evitar prejuízos ao acesso à educação.

O transporte utilizado pelos estudantes saía do IFMG em dois horários, às 17h e às 22h40, atendendo alunos da instituição e também estudantes do Coltec, que eram autorizados a utilizar o serviço. Para os alunos do turno da tarde, o ônibus era utilizado exclusivamente para o retorno para casa. Já os estudantes do período noturno dependiam do transporte tanto para chegar à escola quanto para voltar aos seus distritos após o término das aulas. As mudanças afetam principalmente moradores dos distritos de Cachoeira do Campo, que está a cerca de 23 quilômetros da sede, Amarantina e Santo Antônio do Leite, localizados a aproximadamente 30 quilômetros de Ouro Preto.

Segundo a direção do Coltec, muitos alunos dependem de conexões com outras linhas para chegar aos bairros e localidades onde residem, o que tem dificultado ainda mais o deslocamento após o fim das atividades escolares.

Ao apresentar o requerimento em plenário, Lílian França destacou que seu mandato foi procurado após as alterações no atendimento. Durante sua fala, a parlamentar afirmou que muitos dos alunos conciliam estudo e trabalho e dependem do transporte para continuar frequentando as aulas. Ela também chamou atenção para a realidade dos estudantes dos distritos e para os possíveis impactos da medida sobre a permanência deles na escola.

“São cidadãos ouro-pretanos que muitas vezes, após um dia inteiro de trabalho, buscam conhecimento e uma qualificação maior por meio da educação. Esse transporte foi retirado e muitos desses estudantes dependem dele para conseguir frequentar as aulas e retornar para suas casas nos distritos”, afirmou a vereadora durante a reunião.

A Secretaria Municipal de Educação afirmou que não houve interrupção do transporte escolar sob responsabilidade do município, mas sim adequações operacionais realizadas a partir de critérios técnicos, legais e administrativos. Segundo a secretaria, as alterações foram motivadas pela necessidade de adequar as rotas à capacidade operacional do sistema, que estaria operando em sua lotação máxima em algumas regiões do município, especialmente em Cachoeira do Campo.

A Secretaria informou ainda que mantém diálogo com os estudantes e comunidades afetadas e que já trabalha na construção de uma alternativa para o atendimento dos alunos. Segundo o órgão, “já está em construção uma solução de transbordo até Santa Rita, de modo a garantir o acesso ao transporte dentro das condições operacionais disponíveis”. A pasta acrescentou que as discussões já foram levadas à Câmara Municipal e à Comissão de Educação, mas que ainda não existe prazo definido para a implementação de novas medidas, uma vez que as soluções dependem de viabilidade logística e administrativa.

Sobre os impactos para os estudantes, a Secretaria sustenta que acompanha a situação e que não há prejuízo ao direito à educação. Segundo a administração municipal, parte dos alunos anteriormente atendidos não se enquadra nas situações em que o transporte escolar constitui obrigação legal do município. A pasta também destacou a existência de alternativas complementares, entre elas o auxílio financeiro disponibilizado pelo Governo de Minas Gerais para determinados estudantes, e afirmou que continua avaliando possíveis ajustes, respeitando os limites legais, contratuais e orçamentários do serviço.

Para a direção da escola, a ausência do transporte compromete as condições necessárias para que os estudantes acompanhem regularmente as atividades acadêmicas. A instituição defende a construção de uma solução conjunta entre os órgãos responsáveis, com o objetivo de assegurar o acesso dos alunos às aulas e evitar prejuízos à formação dos jovens atendidos pelo colégio. 


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