A SeMANA AFROfeminista é um evento realizado pelo NINFEIAS desde 2017, em homenagem ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha (25 de julho). Este ano, a SeMANA AFROfeminista está acontecendo dos dia 23 a 29 de novembro. A IX SeMANA AFROfeminista chega com força e ancestralidade propondo um diálogo profundo sobre o Aquilombamento Artivista, uma prática que entrelaça arte, resistência e coletividade como forma de enfrentamento às estruturas coloniais e racistas.

O evento reúne diversas atividades como palestras, oficinas, exposições, performances, intervenções, rodas de conversa, shows promovendo trocas e redes entre a população ouro-pretana e pessoas de outras localidades a fim de debater questões fundamentais para a construção do pensamento feminista que interseccionam raça, gênero, classe e sexualidade.

Nesta edição, a programação presta homenagem à nossa ancestral Beatriz Nascimento, historiadora, poeta, ativista e pensadora fundamental para os estudos sobre quilombo, identidade negra e feminismo afrodiaspórico. Sua trajetória inspira os caminhos que seguimos hoje, e sua voz ecoa nas ações que compõem esta semana.

A atividade de hoje será:

29/11 – Sábado

A partir das 17h será a festa de Encerramento da IX SeMANA AFROfeminista.

Teremos: Aulão de dança com Gabi Augusta e muita música boa com DJ Viviane Barcellos, DJ Osupa, Djahi Amani e Jô Marçal

Local: Galeria Gameleira (Rua Bernardo Vasconcelos) 90, Antônio Dias – Aberto ao público.

Na última quarta-feira, 26/11, a IX SeMANA AFROfeminista, realizada pelas integrantes negras do NINFEIAS (Núcleo de INvestigações FEminIstAS da UFOP coordenado pela professora doutora Nina Caetano) encerrou a noite com a roda de conversa “Mulheres que mandingam com o sagrado”. A roda contou com a presença de Marize Guimarães, guardiã de saberes ancestrais; Luana Mol, sacerdotisa que zela a frente da espiritualidade do Ilê Asè Logun Edé Omi Osun – Casa Vô João de Aruanda; Lolô Nagô, pedagoga, capoeirista e trancista que dedica sua trajetória em aprender e fortalecer os mistérios de criar uma rede de cuidado nas encruzilhadas do saber, do movimento e do espelho e com a mediação de mallu caetano, pesquisadora da cura pelas palavras. A premissa dessa mesa foi criar um espaço onde dialogamos a mandinga do sagrado a fim de que a memória não morra. Mas o que significa mandingar o sagrado em um país que historicamente nega a existência e o valor da herança africana e indígena em seu tecido social? Como preservar a memória das mais velhas quando o território insiste em não reconhecer quem são suas próprias filhas?

Essas são algumas das questões que guiam o encontro entre Luana Mol, Marize Guimarães e Lolô Nagô, três mulheres que, a partir de suas práticas espirituais e culturais, desconstroem narrativas de silenciamento e reafirmam a centralidade feminina na manutenção da vida comunitária. A figura feminina, nesse contexto sustenta a rede que garante continuidade. O encontro com Luana Mol, Marize Guimarães e Lolô Nagô revela que a transmissão dos ensinamentos não se dá apenas por palavras, mas por gestos, rituais, cozinhas, folhas, cantos e cuidados de si e dos outros. Cada uma, à sua maneira, sustenta um pedaço da memória coletiva. Quando essas mulheres se juntam para conversar, o que surge não é apenas um bate-papo, é a afirmação de que o sagrado continua vivo porque continua sendo cuidado.

O evento é organizado pelo Núcleo de Investigações Feministas (NINFEIAS), com coordenação de Dani dos Anjos produção de mallu Caetano, Anita Pedroso e Bárbara Gonçalves, logística de Regiana Nunes, design gráfico de Marcinha Baobá e coordenadoria de comunicação de Klevilaini.

Por: Klevilaini

Foto: Amanda Gomes