{"id":10842,"date":"2021-10-11T13:12:51","date_gmt":"2021-10-11T16:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/?p=10842"},"modified":"2021-10-11T13:12:56","modified_gmt":"2021-10-11T16:12:56","slug":"poeta-do-rock-brasileiro-25-anos-sem-renato-russo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/pt\/poeta-do-rock-brasileiro-25-anos-sem-renato-russo\/","title":{"rendered":"Poeta do rock brasileiro: 25 anos sem Renato Russo"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi em meio a risadas de uma m\u00e3e em pleno trabalho de parto que veio ao mundo aquele que, para muitos, \u00e9 o maior dos poetas do rock brasileiro. De t\u00e3o inusitado, o caso chegou a ser analisado por um comit\u00ea de m\u00e9dicos, conforme lembra a pr\u00f3pria m\u00e3e. \u201cNingu\u00e9m acredita, mas eu dei \u00e0&nbsp;luz dando risadas, enquanto me dava conta de que o parto seria bem mais f\u00e1cil do que dizia uma guria que fez curso de pr\u00e9-natal&nbsp;comigo\u201d, lembra Carmen Manfredini, dona Carminha \u2013 a m\u00e3e que trouxe ao mundo o pequeno J\u00fanior, mais conhecido como Renato Russo.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1424013&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1424013&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Renato Manfredini J\u00fanior morreu h\u00e1 exatos 25 anos, completados neste&nbsp;11 de outubro. Sua obra, no entanto, continua viva e atemporal para aqueles que tanto se identificam com suas letras e reflex\u00f5es sobre a \u201ctchurma\u201d, termo que ele costumava usar para o grupo de amigos com quem conviveu a adolesc\u00eancia e a juventude; sobre as cidades onde viveu, em especial, a musa Bras\u00edlia dos anos 70 e 80; sobre o Brasil; e sobre os sentimentos que fazem, de cada um de n\u00f3s, humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte das lembran\u00e7as e mem\u00f3rias deixadas por Junior a sua fam\u00edlia e pelo Renato \u201cManfredo\u201d aos amigos foi&nbsp;contada&nbsp;com exclusividade \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>por familiares, amigos, m\u00fasicos e profissionais que tiveram o privil\u00e9gio de conhecer, de perto, a pessoa, o artista e a obra de Renato Russo, l\u00edder da Legi\u00e3o Urbana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">J\u00fanior<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma gravidez e um parto tranquil\u00edssimos, apesar da&nbsp;minha inexperi\u00eancia. N\u00e3o tinha a menor ideia de nada&nbsp;sobre isso, motivo pelo qual fiz um curso de pr\u00e9-natal.&nbsp;E&nbsp;me assustava quando diziam que eu sentiria muita dor e que seria necess\u00e1rio fazer muita for\u00e7a para o beb\u00ea nascer.&nbsp;No entanto, bastaram tr\u00eas ou quatro contra\u00e7\u00f5es para ele pular fora. Em meio \u00e0s contra\u00e7\u00f5es, eu n\u00e3o parava de rir ao lembrar disso. Foi uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa\u201d,&nbsp;conta&nbsp;dona Carminha&nbsp;ao&nbsp;recordar&nbsp;o marcante&nbsp;27 de mar\u00e7o de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e do poeta que acabara de nascer diz que seu filho sempre foi \u201cum menino fora de s\u00e9rie\u201d, que \u201cn\u00e3o criava caso com nada\u201d, a ponto de sequer precisar de bab\u00e1s ou empregadas. \u201cEra um menino exemplar, excepcional no col\u00e9gio, alegre, comunicativo e brincalh\u00e3o, principalmente com os primos e com a irm\u00e3\u201d, acrescenta. \u201cE assim foi at\u00e9 entrar no bendito rock\u201d, complementa em tom de brincadeira, uma vez que, at\u00e9 o final da vida, Renato continuava sendo, para a m\u00e3e, \u201co rapaz doce que sempre foi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto pela m\u00fasica j\u00e1 se manifestava quando ele tinha seis ou sete meses de idade, ainda dentro do ber\u00e7o onde, entre os brinquedos, havia um pequeno r\u00e1dio de pilha tocando \u201cas m\u00fasicas brasileiras de \u00f3tima qualidade da R\u00e1dio Tupi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dia, me deparei com ele em p\u00e9, pulando e segurando na grade do ber\u00e7o. Eu fiquei preocupada, mas a cara dele era alegre. Descobri que era por causa da m\u00fasica porque, quando eu tirava o r\u00e1dio da cama, ele chiava. O r\u00e1dio foi a melhor bab\u00e1 que podia existir para meu filho\u201d, recorda dona Carminha.<\/p>\n\n\n\n<p>Livros e discos foram objetos muito presentes na vida do J\u00fanior. \u201cO pai [Renato Manfredini] tamb\u00e9m era intelectual. Aos domingos, fic\u00e1vamos todos em uma saleta, cada um com um livro na m\u00e3o. Escut\u00e1vamos m\u00fasicas cl\u00e1ssicas e m\u00fasicas americanas que estavam na moda, em uma vitrola baixa daquelas com p\u00e9 palito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, os Manfredini foram surpreendidos ao verem o J\u00fanior, aos 2 anos, tirando um disco da vitrola e, com todo cuidado, colocando-o certinho na capa correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tinha nada na capa. S\u00f3 nome de artista. Em seguida, ele pegou outro disco e o colocou na vitrola. Ficamos muito impressionados porque ele era muito pequenino para fazer aquilo. Dali em diante, sempre que queria ouvir m\u00fasica ele ia l\u00e1 colocava o que queria. E sempre guardando na capa certa\u201d, detalha dona Carminha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca contei isso a ningu\u00e9m da fam\u00edlia porque achava chato esse neg\u00f3cio de historinha bonitinha de filho\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cOp\u00edpero\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Aos 5 anos, o pequeno Renato escreveu seu primeiro livro. \u201cUm livrinho com ilustra\u00e7\u00e3o e \u00edndice. Era a hist\u00f3ria de um pr\u00edncipe que tinha ido no castelo para um jantar \u2018op\u00edpero\u2019. Eu me surpreendi porque n\u00e3o conhecia essa palavra. O pai ent\u00e3o me explicou que era um \u2018jantar grandioso, com muita comida\u2019. Aprendi essa palavra com meu filho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra pessoa que aprendeu muita coisa com o J\u00fanior foi a irm\u00e3, Carmen Teresa. \u201cA coisa mais marcante que tenho do meu irm\u00e3o \u00e9 o fato de ele gostar de me explicar as coisas. Principalmente a parte cultural: literatura, m\u00fasica, arte, teatro, cinema. Aprendi quase tudo com ele. E tamb\u00e9m as preocupa\u00e7\u00f5es que ele tinha com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira que eu iria escolher. Aquela hist\u00f3ria do \u2018o que voc\u00ea vai ser quando voc\u00ea crescer?\u2019. Ele era muito atento ao que me interessava\u201d, lembra Carmen Teresa que,&nbsp;hoje, \u00e9 professora de ingl\u00eas e cantora.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras lembran\u00e7as que tem do irm\u00e3o s\u00e3o de cuidados, prote\u00e7\u00f5es e as manifesta\u00e7\u00f5es de afeto e carinho tanto com ela quanto com a m\u00e3e. \u201cMas ele sempre foi muito generoso com todas as pessoas. Tinha uma empatia fora do comum. Era uma pessoa boa, honesta e muito espiritualizada. Ouvia e seguia a pr\u00f3pria consci\u00eancia como ningu\u00e9m. Inclusive com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica. Ele jamais faria m\u00fasica por dinheiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ainda \u00e9 cedo, M\u00f4nica!<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ur5GyHKT8BpZ9EhGM-5fUuOybIc=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_dsc0435.jpg?itok=86RofUEJ\" alt=\"Renato Russo\" title=\"Ricardo Junqueira\/Direitos reservados\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Renato Russo em&nbsp;um &#8220;fim de noite&#8221; no bar Broadway, em 1984&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Ricardo Junqueira\/Direitos reservados<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Essa personalidade \u201cdoce\u201d se manifestava tamb\u00e9m na vida amorosa, principalmente com as namoradas. \u201cSim, ele namorou muito com mulheres, e sempre de uma forma muito respeitosa\u201d, diz a irm\u00e3. Segundo Carmen Teresa, Renato tinha uma predile\u00e7\u00e3o por mulheres de personalidade forte, a exemplo da personagem M\u00f4nica, da m\u00fasica&nbsp;<em>Eduardo e M\u00f4nica<\/em>, e da personagem cantada na m\u00fasica&nbsp;<em>Ainda \u00e9 Cedo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>&#8220;Uma menina me ensinou<br>Quase tudo que eu sei<br>Era quase escravid\u00e3o<br>Mas ela me tratava como um rei.&#8221;<\/em><br>Trecho de&nbsp;<em>Ainda \u00e9 cedo<\/em>, da Legi\u00e3o Urbana<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cEle n\u00e3o se sentia atra\u00eddo por mulheres submissas ou dependentes, e isso tamb\u00e9m pode ser percebido na m\u00fasica&nbsp;<em>Submissa<\/em>, dos tempos de Aborto El\u00e9trico, quando ele usa a palavra \u2018submissa\u2019 at\u00e9 em tom depreciativo. As amigas e namoradas dele, em geral, eram mais velhas e inteligentes, j\u00e1 com personalidade e carreira pr\u00f3pria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o da irm\u00e3, Renato gostava de se relacionar tanto com homens quanto com mulheres. \u201cMeu irm\u00e3o era, na verdade, bissexual. Essa impress\u00e3o foi inclusive corroborada pelo psiquiatra dele, de que o Renato queria, at\u00e9 do ponto de vista art\u00edstico, levantar a bandeira em favor da liberdade de as pessoas serem o que quiserem ser\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marcelo Ber\u00e9, o amigo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FC3SW5Q-0ORRZPBlxeUTpHkMx4w=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_dsc0185.jpg?itok=LZqmy-RL\" alt=\"Renato Russo\" title=\"Ricardo Junqueira\/Direitos reservados\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Passagem de som do show no Gin\u00e1sio de Esportes em 1985. Neste show tamb\u00e9m tocaram&nbsp;Plebe Rude e Ultraje a Rigor-&nbsp;<strong>Ricardo Junqueira\/Direitos reservados<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Um dos grandes amigos do Renato j\u00e1 dos tempos de Manfredo foi o ator e \u201cpalha\u00e7o muito s\u00e9rio\u201d, integrante do premiad\u00edssimo Circo Teatro Udi Grudi, Marcelo Ber\u00e9, que atualmente faz p\u00f3s-doutorado sobre \u201cexc\u00eantricos musicais\u201d na Universidade de Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>A exemplo da irm\u00e3 de Renato, Ber\u00e9 diz que Renato levantava bandeiras que estavam \u00e0 frente de seu tempo. \u201cRenato sempre falava que era pansexual, e que transava com a natureza, com o rio, com homem e mulher ou com tudo que despertasse nele o tes\u00e3o pela vida e por estar aqui e agora. Nunca tive problema nenhum com as op\u00e7\u00f5es que ele fez da vida. Desde que tivesse algum tipo de prazer ou at\u00e9 mesmo romance, eu acho que fazia bem a ele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra bandeira levantada por Renato foi contra alguns movimentos radicais de jovens que come\u00e7avam a aparecer&nbsp;na capital do pa\u00eds. \u201cO Renato&nbsp;era extremamente antifascista e sempre foi um lutador de causas antifascistas. Teve muitos problemas com skinheads e neonazistas da \u00e9poca. Era uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ele sempre teve, e uma clareza que quase anteviu o presente do Brasil. Tudo que est\u00e1 acontecendo&nbsp;hoje&nbsp;faz parte das piores previs\u00f5es dele\u201d, recorda Ber\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois amigos se conheceram por meio da L\u00e9o Coimbra, irm\u00e3 da Nice com quem Ber\u00e9 era casado \u00e0 \u00e9poca. As duas irm\u00e3s foram, com seus respectivos maridos (Fernando Coimbra e Marcelo Ber\u00e9), fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a m\u00fasica&nbsp;<em>Eduardo e M\u00f4nica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00e1bio, precoce e culto<\/h2>\n\n\n\n<p>A amizade entre Manfredo e Ber\u00e9 nasceu em uma noite conturbada. \u201cEu estava enamorado com uma mulher que estava em meio a um processo de separa\u00e7\u00e3o. Estava na casa dela, quando o marido entrou e tive de sair quase como um fantasma. Cheguei no bar Adrenalina e encontrei o Renato. Passamos a noite juntos conversando sobre vida, morte&nbsp;e sobre o risco que eu havia acabado de correr. Falamos tamb\u00e9m sobre sexualidade, m\u00fasica, poesia. Vimos que t\u00ednhamos muito a ver. Foi ali que come\u00e7ou uma amizade que durou a vida inteira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ber\u00e9 descreve o Renato como uma pessoa \u201cextremamente gentil quando queria ser\u201d, al\u00e9m de \u201cs\u00e1bio, precoce e culto\u201d. \u201cTinha lido muito, tinha muitas refer\u00eancias e uma imagina\u00e7\u00e3o extremamente privilegiada, al\u00e9m de uma forma incr\u00edvel de entregar e articular ideias. Desde o come\u00e7o, nossa amizade foi regada a muitos papos cabe\u00e7a e muitas trocas extremamente interessantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acrilic on Canvas<\/h2>\n\n\n\n<p>Esses \u201cpapos cabe\u00e7a\u201d entre Renato e Ber\u00e9 foram inclusive mat\u00e9ria-prima para alguns dos grandes sucessos da Legi\u00e3o Urbana. Em especial,&nbsp;<em>Acrilic on Canvas<\/em>, a m\u00fasica predileta da irm\u00e3 de Renato e um dos grandes hits de&nbsp;<em>Dois<\/em>, o segundo disco da banda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Acrilic on Canvas<\/em>, ele fez logo depois de uma noitada na minha casa. Eu morava no final da Asa Sul, em uma casa que ele adorava frequentar. Ficava mais l\u00e1 do que na casa dos pais. A gente fazia comida juntos e ficava por ali a noite inteira. Eu pintava muito nessa \u00e9poca, e tinha v\u00e1rios cavaletes. Minha casa era um ateli\u00ea\u201d, lembra o multiartista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPassamos a noite inteira conversando sobre a hist\u00f3ria da arte. Falamos de v\u00e1rias obras e de v\u00e1rios assuntos ao longo da noite inteira, com ele me vendo preparar tintas, t\u00eampera e telas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Renato ent\u00e3o pegou um t\u00e1xi no meio da noite e saiu. \u201cNo dia seguinte, ele me liga e pede que eu ou\u00e7a o que ele havia escrito. Leu a letra inteira de&nbsp;<em>Acrilic on Canvas<\/em>. Eu fiquei impressionado. Disse que ele foi fundo e que tinha pego o lado mais po\u00e9tico do nosso papo\u201d, relata Ber\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos depois, Renato mostrou a melodia colocada em cima da letra. \u201cEu imaginava que seria um rock pesado ou algo mais punk. Ele, pelo contr\u00e1rio, apresentou uma m\u00fasica extremamente mel\u00f3dica. Fiquei super emocionado porque astralmente havia, ali, uma parceria. Ele era uma esponja. Era capaz de absorver o momento e traduzi-lo em m\u00fasica e poesia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cOs tra\u00e7os copiei<br>Do que n\u00e3o aconteceu.<br>As cores que escolhi,<br>Entre as tintas que inventei,<br>Misturei com a promessa<br>Que n\u00f3s dois nunca fizemos<br>De um dia sermos tr\u00eas.\u201d<\/em><br>Trecho de&nbsp;<em>Acrilic on Canvas<\/em>, da Legi\u00e3o Urbana<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Processo de composi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A amizade entre os dois possibilitou a Ber\u00e9 conhecer a fundo o processo de composi\u00e7\u00e3o de Renato Russo. \u201cEle&nbsp;pagava um pre\u00e7o muito alto para poder frequentar os abismos mais profundos e trazer \u00e0 luz [o que vivenciava e sentia]\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato era bastante met\u00f3dico. Um h\u00e1bito dele era o de carregar, o tempo todo, um caderninho de anota\u00e7\u00f5es. \u201cEle tinha a genialidade de pegar frases que os amigos falavam, ou o que escutava em uma mesa de bar; ou mesmo o que lia em um livro. Eu o vi compondo&nbsp;<em>Pais e Filhos<\/em>, no Rio&nbsp;de Janeiro. Ele me chamou para o est\u00fadio, que era em Botafogo. Enquanto o Dado [Villa Lobos, guitarrista] e o Marcelo Bonf\u00e1 [baterista] ensaiavam ritmos e passavam m\u00fasicas, o Renato, em um balc\u00e3o, pegava v\u00e1rias p\u00e1ginas picotadas desses caderninhos e fala assim: \u2018quer ver como \u00e9 que eu fa\u00e7o uma m\u00fasica?\u2019 Foi colocando essas frases uma seguida da outra, quase em um processo dada\u00edsta de constru\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o. Assim nasceu<em>&nbsp;Pais e Filhos<\/em>. Uma colet\u00e2nea de anota\u00e7\u00f5es do dia a dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>&#8220;Quero colo, vou fugir de casa<br>Posso dormir aqui com voc\u00eas?<br>Estou com medo tive um pesadelo<br>S\u00f3 vou voltar depois das tr\u00eas<br>Meu filho vai ter nome de santo<br>Quero o nome mais bonito<\/em><\/p><p><em>\u00c9 preciso amar as pessoas<br>Como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3<br>Por que se voc\u00ea parar pra pensar<br>Na verdade n\u00e3o h\u00e1&#8221;<\/em><br>Trecho da m\u00fasica&nbsp;<em>Pais e Filhos<\/em>, da Legi\u00e3o Urbana<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ver a dimens\u00e3o que as m\u00fasicas e as poesias do amigo iam ganhando era algo que orgulhava Marcelo Ber\u00e9. Mas&nbsp;a experi\u00eancia que ele aponta como&nbsp;a&nbsp;mais emocionante ocorreu em uma atividade coletiva no Centro de Ensino Fundamental Caseb, escola&nbsp;onde&nbsp;Ber\u00e9&nbsp;dava aula.&nbsp;\u201cOs alunos cantaram&nbsp;<em>Faroeste Caboclo<\/em>, uma m\u00fasica imensa, inteira. Foi uma das experi\u00eancias mais emocionantes que j\u00e1 tive porque eu ouvi uma das primeiras vezes que essa m\u00fasica foi cantada, na minha casa\u201d, lembra Ber\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRenato pegou um viol\u00e3o Gianinni vermelho que eu tinha, de crian\u00e7a e que acabou ficando com ele, e disse que fez uma m\u00fasica estilo Bob Dylan, com mais de 15 minutos. Eu disse que ele nunca ia conseguir gravar a m\u00fasica. Ele ent\u00e3o sentou no jardim e come\u00e7ou a cantar. Um monte de vizinho foi chegando e sentando na grama. Ao final, todo mundo ficou pirado. Depois, a primeira vez que apresentou essa m\u00fasica em Bras\u00edlia foi no teatro da Escola Parque. Quando come\u00e7ou a parte final, que vai esquentando, parecia que a escola ia desmoronar, tamanha como\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>&#8220;N\u00e3o tinha medo o tal Jo\u00e3o de Santo Cristo<br>Era o que todos diziam quando ele se perdeu&#8221;<\/em><br>Trecho de&nbsp;<em>Faroeste Caboclo<\/em>, da Legi\u00e3o Urbana<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeiro guitarrista<\/h2>\n\n\n\n<p>Primeiro guitarrista e fundador da Legi\u00e3o Urbana, Kadu Lambach \u2013 ou Eduardo Paran\u00e1, como Renato gostava de chamar, tamb\u00e9m tem muitas mem\u00f3rias com o parceiro musical e amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acaba de lan\u00e7ar o livro&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/eduardoparana.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener follow external sponsored ugc\" data-wpel-link=\"external\">M\u00fasica Urbana: O In\u00edcio de uma Legi\u00e3o<\/a><\/em>, onde, com a ajuda do jornalista Andr\u00e9 Molina, fala sobre o per\u00edodo de funda\u00e7\u00e3o da banda, al\u00e9m de apresentar composi\u00e7\u00f5es e textos in\u00e9ditos de Renato Russo, \u201cguardados h\u00e1 mais de 30 anos em um ba\u00fa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as p\u00e9rolas do livro, est\u00e1 a letra daquela que foi a primeira m\u00fasica da Legi\u00e3o Urbana, chamada&nbsp;<em>Proven\u00e7al das Quadras<\/em>. M\u00fasica que, segundo Paran\u00e1, s\u00f3 teve sua parte instrumental conclu\u00edda ap\u00f3s a morte do amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento do livro ser\u00e1 transmitido hoje (11) do palco do Hard Rock Cafe em Curitiba, via YouTube, Facebook e Instagram @kadulambachoficial, a partir das 19h30.<\/p>\n\n\n\n<p>Instrumentista como poucos, \u201cParan\u00e1\u201d foi citado nos quadrinhos do encarte do \u00e1lbum&nbsp;<em>Que Pa\u00eds \u00c9 Este&nbsp;<\/em>como o &#8220;grande \u00eddolo dos anos 70&#8221; que teria deixado a Legi\u00e3o &#8220;para estudar viol\u00e3o cl\u00e1ssico em S\u00e3o Paulo\u201d \u2013 e que, por isso, deveria&nbsp;ter&nbsp;&#8220;problema em casa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a sa\u00edda,&nbsp;Paran\u00e1&nbsp;diz que&nbsp;precisava desenvolver sua musicalidade, mas que, naquela \u00e9poca, n\u00e3o encontrava professores em Bras\u00edlia e que tinha ouvido falar de um \u201cconservat\u00f3rio muito bacana\u201d em Tatu\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSa\u00ed da banda porque eu queria tocar uma m\u00fasica chamada<em>&nbsp;O Cachorro<\/em>, um instrumental muito bom que tinha compasso 6\/8 que depois virava um 4\/4. Realmente n\u00e3o tinha nada a ver com a est\u00e9tica punk. Musicalmente, eu precisava me desenvolver como artista, mas lembro que, logo depois, j\u00e1 em Tatu\u00ed, meu pai enviou uma reportagem enorme falando da Legi\u00e3o Urbana. Ali eu senti que a Legi\u00e3o ia explodir para o Brasil inteiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Influ\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p>A Legi\u00e3o, mesmo com seu minimalismo, influenciou a forma\u00e7\u00e3o do virtuoso Kadu Lambach. \u201cVi o Renato chegar em um n\u00edvel t\u00e3o alto que eu pensei, comigo, que, como instrumentista, eu preciso chegar tamb\u00e9m em um n\u00edvel alto, inclusive para justificar minha sa\u00edda da banda. Achei muito bacana ele&nbsp;ter&nbsp;colocado o sarrafo l\u00e1 em cima. Essa foi a maior influ\u00eancia na minha vida\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;o m\u00fasico que j\u00e1 tocou com Belchior, Tunai, M\u00e1rcio Montarroyos, Arthur Maia, Jane Duboc e Victor Biglione, entre outros. Uma de suas composi\u00e7\u00f5es, inclusive, foram gravadas pelo \u00edcone do jazz mundial Stanley Clarke.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras impress\u00f5es sobre as m\u00fasicas do Renato, no entanto, passam longe do aspecto t\u00e9cnico que desde cedo atra\u00edam o musicista \u2013 o que, segundo ele, n\u00e3o tornou a experi\u00eancia menos marcante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConheci o Renato na banda Aborto El\u00e9trico, na pe\u00e7a<em>&nbsp;O \u00daltimo Rango<\/em>, na 308 sul. Depois, vi uma apresenta\u00e7\u00e3o no Col\u00e9gio Marista, onde eu estudava. Fiquei impressionado porque soava como o&nbsp;Sex&nbsp;Pistols da \u00e9poca. Os m\u00fasicos n\u00e3o tinham t\u00e9cnica, mas tinham uma energia muito forte e equivalente \u00e0 da banda inglesa. Lembro de&nbsp;ter&nbsp;ficado muito impactado ao ouvir&nbsp;<em>Que Pa\u00eds \u00c9 Este\u201d<\/em>, recorda Kadu \u201cParan\u00e1\u201d Lambach.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias depois, ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o no projeto Concertos Lago Norte, veio o convite de Renato, para que o ajudasse a formar uma nova banda. \u201cEle me chamou em um&nbsp;s\u00e1bado&nbsp;e, na&nbsp;segunda-feira, j\u00e1 estava montando uma agenda de ensaios super profissional. Achei bacana da parte dele. Fizemos praticamente todos os 25 ensaios previstos, fora os ensaios a dois viol\u00f5es. Gravamos&nbsp;todos os ensaios, e ele n\u00e3o perdia uma ideia. Pegava as ideias, ia para casa e j\u00e1 trazia no outro ensaio as m\u00fasicas prontas. Essa era a velocidade do Renato\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cafofo<\/h2>\n\n\n\n<p>Maestro, compositor e arranjador,&nbsp;R\u00eanio Quintas tamb\u00e9m percebeu inquietude em um garoto que, ainda que de forma silenciosa, frequentava o bar Cafofo, do qual era propriet\u00e1rio. O subsolo era um espa\u00e7o onde, \u00e0 noite, havia muitas apresenta\u00e7\u00f5es musicais. \u201cE todas as tardes faz\u00edamos reuni\u00f5es de comiss\u00f5es tem\u00e1ticas, como resist\u00eancia \u00e0 ditadura\u201d, lembra Quintas referindo-se aos n\u00facleos de cinema, m\u00fasica, literatura, jornalismo, poesia e teatro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu dava aulas de harmonia e de qualquer assunto que fosse do meu conhecimento. Fal\u00e1vamos muito sobre resist\u00eancia, agita\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es na Universidade de Bras\u00edlia, j\u00e1 que o local era muito frequentado por estudantes da UnB\u201d, lembra o ent\u00e3o coordenador do n\u00facleo de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>R\u00eanio notava \u201cum rapaz magrelo de uns 17 anos, t\u00edmido, que descia quase diariamente, durante dois ou tr\u00eas meses, ficando sentado, observando sem falar nada\u201d. Era o Renato, que um dia disse ser baixista e que \u201cqueria fazer m\u00fasica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem pediu para&nbsp;ter&nbsp;uma conversa com R\u00eanio ap\u00f3s uma das reuni\u00f5es. Nela, disse&nbsp;ter&nbsp;observado que o espa\u00e7o n\u00e3o era utilizado aos domingos, e queria saber se poderia tocar ali com uma banda chamada Aborto El\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe imediato eu perguntei se n\u00e3o tinha nome melhor para dar. Renato ent\u00e3o disse que era para \u2018chocar a burguesia\u2019. Aquela timidez desapareceu quando ele come\u00e7ou a defender as coisas em que acreditava. Eu disse que n\u00e3o tinha problema, se ele se comprometesse a n\u00e3o estourar o equipamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como R\u00eanio n\u00e3o costumava ir ao Cafofo no&nbsp;domingo, encarregou um funcion\u00e1rio para receber a banda e seus convidados. \u201cQuando voltei, o funcion\u00e1rio disse que muita gente foi ao local; que o evento foi muito agitado e muito legal;&nbsp;e que&nbsp;o som era \u2018o maior barato&nbsp;e&nbsp;com&nbsp;muita gente tocando junto\u2019.&nbsp;Foi&nbsp;ali que conheci, de fato, o Renato Russo\u201d, disse R\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrenome art\u00edstico adotado por Renato d\u00e1 uma amostra do qu\u00e3o erudito era aquele menino punk que frequentava as mesas de debate do Cafofo e tanto gostava de conversar sobre arte com Marcelo Ber\u00e9. Trata-se de uma homenagem ao fil\u00f3sofos Bertrand Russell e Jean-Jacques Rousseau, e ao pintor Henri Rousseau.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rock Bras\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>Mergulhado na cena instrumental da cidade, R\u00eanio Quintas ficou alguns anos sem encontrar Renato. At\u00e9 que um dia, ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o no Bom Demais \u2013 bar brasiliense conhecido por ser celeiro de v\u00e1rios m\u00fasicos de primeira linha da capital federal, como C\u00e1ssia Eller, Z\u00e9lia Duncan e Adriano Faquini \u2013, o musicista foi abordado pelo \u201cgaroto da banda punk de nome esquisito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cReferindo-se \u00e0 minha banda, a Artimanha [banda que tinha, entre seus integrantes, Toninho Maya, instrumentista idolatrado por Renato Russo, falecido em fevereiro de 2021 devido \u00e0 covid 19], ele disse que n\u00f3s \u00e9ramos m\u00fasicos de verdade, e que ele, Renato, usava a m\u00fasica como plataforma para poesias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNotei ent\u00e3o uma fila se formando na nossa frente, e pessoas entregando disco para ele autografar. Perguntei o que estava acontecendo, e ele perguntou se eu n\u00e3o sabia que ele estava fazendo sucesso com a Legi\u00e3o Urbana, ap\u00f3s o lan\u00e7amento de um disco\u201d. Na medida em que a conversa ia se estendendo, a fila foi aumentando a ponto de dobrar a esquina.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cNaquela \u00e9poca n\u00e3o t\u00ednhamos ideia de que est\u00e1vamos fazendo um movimento que ia se tornar o pop rock nacional. A gente sentia que aquilo ia dar em um movimento muito forte, mas nunca imaginamos que a gente ia escrever o pop rock nacional, e que todo aquele movimento ia se confundir com a hist\u00f3ria do pa\u00eds\u201d, diz Kadu Lambach, o primeiro guitarrista da Legi\u00e3o, antes de Dado Villa-Lobos.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O rock produzido em Bras\u00edlia ganhou o pa\u00eds, a ponto de a cidade passar a ser nacionalmente conhecida como \u201cCapital do Rock\u201d, ap\u00f3s o estouro, em uma mesma leva, das bandas Legi\u00e3o Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, que tinha \u00e0 frente, nas guitarras, o tamb\u00e9m amigo do Renato, Philippe Seabra. Atualmente, o \u201crude plebeu\u201d trabalha como produtor musical de trilhas sonoras.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro contato dele com Renato foi em um show de bandas locais \u2013 Aborto El\u00e9trico, Metralhas e Blitz 64 \u2013 na lanchonete Foods, localizada na entre quadra 110\/111 Sul. \u201cEu tinha uns 13 anos e esse show foi minha apresenta\u00e7\u00e3o ao movimento punk. Achava engra\u00e7ado aquelas figuras descabeladas, as roupas e a m\u00fasica agressiva e embolada. O som era tosco, mas legal porque a mensagem ressoava.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bras\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>Se a Bras\u00edlia rec\u00e9m-nascida fosse uma tela em branco prestes a ser assinada por v\u00e1rios&nbsp;artistas, o nome de Renato Russo estaria entre eles. Afinal foi ele, poeta e m\u00fasico, o respons\u00e1vel por apresentar, ao Brasil, a efervesc\u00eancia de uma cidade rec\u00e9m-criada, na busca por uma identidade que tinha, como caracter\u00edstica, tantos peda\u00e7os de Brasil trazidos por aqueles que come\u00e7avam a povo\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Bras\u00edlia influenciou Renato, que influenciou Bras\u00edlia. Essa troca de energia \u00e9 percebida nas tem\u00e1ticas das letras de Renato, nas legi\u00f5es de novos poetas e artistas que surgiram a partir da cena e, at\u00e9 mesmo, em monumentos e espa\u00e7os que t\u00eam o artista como refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O antigo Teatro Galp\u00e3o, espa\u00e7o consagrado das artes na cidade,&nbsp;atualmente se chama Espa\u00e7o Cultural Renato Russo. O nome do artista foi adotado tamb\u00e9m por sete brinquedotecas localizadas em hospitais p\u00fablicos da cidade, por meio de uma parceria da ONG Amigos da Vida com o Instituto CNP Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o governo local criou o Rota Bras\u00edlia Capital do Rock, projeto que colocou 41 placas na cidade, marcando locais que foram refer\u00eancias para a cena roqueira local. O projeto, que tem como curador Philippe Seabra,&nbsp;<a href=\"https:\/\/earth.google.com\/web\/data=Mj8KPQo7CiExbG0zNWhjRHpWTjhSQ1JwZ0NXa1d2NHlwd0hXQnB0VWYSFgoUMDNCNjQ2RDZGNjE5NEQ5Njg0OEU?authuser=2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener follow external sponsored ugc\" data-wpel-link=\"external\">pode ser visitado tamb\u00e9m de forma virtual por meio do Google Earth<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sempre disse ao Renato que nada disso&nbsp;teria acontecido se n\u00e3o fosse Bras\u00edlia. Claro que se algu\u00e9m tem o \u00edmpeto art\u00edstico, ele vai se manifestar de um jeito ou de outro. Mas por&nbsp;ter&nbsp;sido em Bras\u00edlia, naquele espa\u00e7o-tempo, saiu do jeito que saiu, com a for\u00e7a, a verve e a resson\u00e2ncia que teve\u201d, diz o curador e guitarrista da Plebe referindo-se \u201cao momento e \u00e0s experi\u00eancias \u00edmpares\u201d que viveram na adolesc\u00eancia, em uma cidade descrita como \u201cum entreposto burocr\u00e1tico no meio do nada\u201d, com passagens a\u00e9reas car\u00edssimas e culturalmente isolada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cA&nbsp;gente cresceu em uma cidade que tinha praticamente a nossa idade. Ningu\u00e9m da turma tinha nascido em Bras\u00edlia.&nbsp;Fomos&nbsp;transplantados&nbsp;para c\u00e1. Enquanto&nbsp;tent\u00e1vamos&nbsp;encontrar nossa pr\u00f3pria personalidade, a pr\u00f3pria cidade estava tentando encontrar a sua cara cultural. Olha que engra\u00e7ado: foi essa turma que acabou dando a cara cultural da cidade, colocando ela no mapa cultural brasileiro\u201d,&nbsp;acrescentou Seabra.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Show no Man\u00e9 Garrincha<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ewFgc2tVrrlw5J7ebTjUfQ-elHQ=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_dsc7680.jpg?itok=p0GTDdyK\" alt=\"Renato Russo\" title=\"Ricardo Junqueira\/Direitos reservados\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">\u00daltimo show da&nbsp;Legi\u00e3o Urbana em Bras\u00edlia, no Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, 1988. &#8211;&nbsp;<strong>Ricardo Junqueira\/Direitos reservados<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O fat\u00eddico show no Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha mudou a rela\u00e7\u00e3o entre a capital federal e Renato Russo, a ponto de f\u00e3s revoltados pintarem&nbsp;\u201cFora Legi\u00e3o\u201d em um muro na frente do pr\u00e9dio onde Renato morava, na 303 Sul, regi\u00e3o central da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de erros na organiza\u00e7\u00e3o, falhas t\u00e9cnicas e uma pol\u00edcia que n\u00e3o soube lidar com uma plateia bem maior do que a estimada acabaram por fazer deste show, segundo a irm\u00e3 do cantor, \u201cuma esp\u00e9cie de&nbsp;<em>Gimme Shelter<\/em>&nbsp;do Planalto Central\u201d, disse ela, referindo-se ao tr\u00e1gico show da banda Rolling Stones, que resultou no assassinato de um jovem nos EUA, em 1969.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o havia, em Bras\u00edlia, uma cultura de grandes eventos. Sei que meu irm\u00e3o errou em suas falas tamb\u00e9m. Enfim, foi um dia desfavor\u00e1vel\u201d, resume Carmen Teresa ao confirmar que, no dia, o irm\u00e3o \u201cabusou de algumas subst\u00e2ncias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s esse show, em que houve confus\u00e3o,&nbsp;pessoas se machucaram e&nbsp;o cantar acabou xingando a plateia e deixando o palco, Renato prometeu nunca mais voltar a fazer espet\u00e1culos na cidade. E isso acabou realmente ocorrendo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1lcool e drogas<\/h2>\n\n\n\n<p>O integrante da Plebe Rude classifica Renato como \u201cum cara muito bem versado e muito legal, que quase escondia a erudi\u00e7\u00e3o porque falava com muita g\u00edria\u201d. \u201cEra um cara bacana, mas nunca o vi como Messias, como as pessoas falam. Era um bom amigo. Um amigo fiel e muito engra\u00e7ado. Mas, como qualquer b\u00eabado, um b\u00eabado chato quando bebia demais. E ele bebia muito\u201d, disse referindo-se a um hist\u00f3rico problema do amigo: o alcoolismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Ber\u00e9 tamb\u00e9m se preocupava com a rela\u00e7\u00e3o do amigo com o \u00e1lcool. \u201cEle sempre foi extremamente compulsivo. Era dif\u00edcil controlar. Passava dos limites sempre. E eu tamb\u00e9m, ent\u00e3o era duplamente complicado, porque tinha, ainda, a quest\u00e3o das drogas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e do artista percebia os riscos que o filho corria. \u201cEle mudou quando come\u00e7ou a usar drogas de forma mais intensa. Chegava tarde, dormia o dia inteiro e acordava mau humorado. Era outra pessoa. Eu sabia o que estava acontecendo. Recorremos a um psiquiatra, que nos disse que o Renato era um cara inteligente, e que s\u00f3 pararia de fazer uso dessas subst\u00e2ncias caso realmente quisesse. Optamos por n\u00e3o interferir na vida dele&nbsp;e nos limitamos a mostrar as consequ\u00eancias que esse caminho poderia trazer. Mas ele j\u00e1 sabia disso\u201d, lembra dona Carminha.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cO que mais nos preocupava era o \u00e1lcool. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas, ele conseguia entrar e sair at\u00e9 facilmente. J\u00e1 o \u00e1lcool era problem\u00e1tico porque se enquadrava como doen\u00e7a cr\u00f4nica. Ao contr\u00e1rio do que dizem, ele morreu completamente limpo, sem nada. A verdade \u00e9 que meu irm\u00e3o n\u00e3o morreu em consequ\u00eancia da aids. Ele morreu de depress\u00e3o, com taxas est\u00e1veis e controladas. Foi de desilus\u00e3o com a vida e, em especial, com o amor idealizado que n\u00e3o encontrou.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Filmes e livros<\/h2>\n\n\n\n<p>O interesse e a curiosidade por aquele que, para muitos, foi&nbsp;consagrado como mito estimulou a produ\u00e7\u00e3o de vasto material, em especial livros e filmes. Entre eles, a biografia&nbsp;<em>Renato Russo \u2013 O Filho da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, escrito pelo jornalista Carlos Marcelo;&nbsp;<em>O Di\u00e1rio da Turma 1976-1986: A Hist\u00f3ria do Rock de Bras\u00edlia,<\/em>&nbsp;de Paulo Marchetti. No cinema, Ren\u00ea Sampaio, um adolescente na d\u00e9cada de 80 e f\u00e3 do cantor, colocou, na tela, a hist\u00f3ria de Jo\u00e3o de Santo Cristo, no filme&nbsp;<em>Faroeste Caboclo<\/em>. O cineasta est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar outro filme inspirado em uma m\u00fasica de Renato Russo:&nbsp;<em>Eduardo e M\u00f4nica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como milhares de jovens brasileiros da \u00e9poca, Carlos Marcelo foi impactado pela sonoridade da Legi\u00e3o Urbana. \u201cA banda encabe\u00e7ou um movimento, o que me motivou a dar in\u00edcio aos planos de escrever a biografia do Renato. Eu queria entender um pouco sobre esse personagem que tinha me fascinado na adolesc\u00eancia e que continuava sendo muito marcante para mim e para tantos brasileiros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Filho da Revolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/26e3hpH_hYhs6bQjo1LjWgckso0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_dsc7901.jpg?itok=v76VL0st\" alt=\"Renato Russo\" title=\"Ricardo Junqueira\/Direitos reservados\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Renato Russo no Bar Broadway, em 1984 &#8211;&nbsp;<strong>Ricardo Junqueira\/Direitos reservados<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O livro&nbsp;<em>Renato Russo \u2013 O Filho da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;entrela\u00e7a, segundo o pr\u00f3prio autor, a hist\u00f3ria do Renato, em Bras\u00edlia, com a hist\u00f3ria da cidade e do pa\u00eds. \u201cComo me disse um amigo, a biografia contrabandeia um livro de hist\u00f3ria porque conta muito sobre a hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. Queria mostrar o crescimento de um jovem brasileiro durante a ditadura militar, e como ele foi influenciado por essa viv\u00eancia em uma cidade adolescente, sendo que o Renato tamb\u00e9m era um adolescente. \u00c9 muito raro&nbsp;ter&nbsp;uma gera\u00e7\u00e3o de adolescentes tomando conta de uma cidade que tamb\u00e9m \u00e9 adolescente\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses adolescentes citados por Carlos Marcelo foram tamb\u00e9m abordados no livro&nbsp;<em>O Di\u00e1rio da Turma<\/em>, de Paulo Marchetti. O livro apresenta depoimentos de diversos integrantes da cena que tinha, ao centro, o Renato, ainda nos tempos de Manfredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como era tamb\u00e9m integrante da \u201ctchurma\u201d, Marchetti conviveu com Renato. \u201cEle sempre falava que um dia a Legi\u00e3o ia terminar, e que ele ia virar escritor. Dizia inclusive que o primeiro livro que ele gostaria de escrever seria sobre a \u2018tchurma\u2019, para contar hist\u00f3rias de Bras\u00edlia\u201d, lembra o escritor que \u00e9 tamb\u00e9m diretor de TV.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando o Renato morreu, liguei para alguns integrantes da turma, como o Dinho [vocalista do Capital Inicial], o Bonf\u00e1 e o Andr\u00e9 Muller [baixista da Plebe Rude]. Ningu\u00e9m estava pensando em escrever. Ent\u00e3o resolvi escrever, ap\u00f3s passar por uma s\u00edndrome de p\u00e2nico que me fez pegar essa miss\u00e3o. Eu achava que o Brasil devia conhecer a hist\u00f3ria que vai al\u00e9m das bandas famosas\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ren\u00e9 Sampaio n\u00e3o conheceu pessoalmente Renato Russo. Mas se sente \u00edntimo das obras do artista. \u201cRenato Russo mudou minha vida v\u00e1rias vezes. Quando era moleque, escutando suas m\u00fasicas, via em cada disco uma mensagem e uma reflex\u00e3o diferente. Depois, j\u00e1 adulto, fazendo filmes sobre suas m\u00fasicas. Ele me influenciou pessoalmente e influenciou, tamb\u00e9m, minha carreira. Mudou o meu rumo para uma grande virada\u201d, diz o diretor de cinema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Registros fotogr\u00e1ficos<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro que teve a carreira impulsionada pela cena e, em especial,&nbsp;por&nbsp;Renato Russo,&nbsp;foi o fot\u00f3grafo Ricardo Junqueira, ou \u201cBolinha\u201d, como&nbsp;era conhecido na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAp\u00f3s as fotos que fiz para divulga\u00e7\u00e3o do primeiro disco da Legi\u00e3o, vi que poderia ganhar dinheiro vivendo de fotografia. No dia seguinte pedi demiss\u00e3o do banco onde trabalhava, porque o que ganhei naquele trabalho era equivalente ao que ganharia em um m\u00eas de banco. S\u00f3 tenho a agradecer \u00e0 banda, \u00e0 Fernanda [Vila-Lobos, produtora do primeiro disco] e ao Renato, que me proporcionaram isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Junqueira assina, ao lado do tamb\u00e9m fot\u00f3grafo Nick Elmoor, o livro&nbsp;<em>P\u00f3s-New Bras\u00edlia 1981-1989, a Biografia Fotogr\u00e1fica de um Tempo que N\u00e3o Foi Perdido<\/em>. Trata-se do maior registro fotogr\u00e1fico j\u00e1 feito das principais bandas brasilienses da \u00e9poca, em especial da Legi\u00e3o Urbana, uma vez que, al\u00e9m de fazer imagens para \u00e1lbuns, Junqueira foi encarregado de registrar algumas das turn\u00eas da banda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fato de estudar publicidade me aproximou do Renato, quando estudava jornalismo.&nbsp;Era bom conversar com ele, que tinha posi\u00e7\u00f5es muito fortes. Era muito frontal com muita gente. Nunca foi uma pessoa muito simp\u00e1tica ou muito tranquila. \u00c0s vezes era at\u00e9 agressivo com algumas pessoas que tinham opini\u00e3o muito diferente da dele\u201d, lembra o fot\u00f3grafo que desde 2012 trabalha em Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">25 anos sem Renato<\/h2>\n\n\n\n<p>As lembran\u00e7as que Junior (ou Manfredo, para os amigos)&nbsp;deixou&nbsp;\u00e0queles com quem conviveu&nbsp;e o legado art\u00edstico de&nbsp;Renato Russo acabam por gerar uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cequil\u00edbrio distante\u201d, como dizia o artista, e de perda de no\u00e7\u00e3o de um tempo que, de fato, n\u00e3o foi perdido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um quarto de s\u00e9culo de sua morte, ele continua presente e \u201cvivo\u201d por meio de sua obra. Renato Russo deixa um legado que possibilitar\u00e1, a v\u00e1rias outras gera\u00e7\u00f5es, entender parte do que foi este \u201cnosso pr\u00f3prio tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div id=\"110753\" class=\"advads-saneouro advads-entity-placement\" style=\"margin-top: 10px;margin-bottom: 10px;margin-left: auto;margin-right: auto;text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.saneouro.com.br\/noticias\/de-olho-na-saude-publica-lixo-descartado-incorretamente-pode-entupir-redes-de-esgoto\/\" target=\"_blank\" aria-label=\"Diario_Ouro_Preto_Site\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"follow external noopener noreferrer sponsored ugc\"><img src=\"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Diario_Ouro_Preto_Site.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Diario_Ouro_Preto_Site.jpg 300w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Diario_Ouro_Preto_Site-180x150.jpg 180w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Diario_Ouro_Preto_Site-14x12.jpg 14w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" width=\"300\" height=\"250\"  style=\"display: inline-block;\" \/><\/a><\/div><p>Publicado em 11\/10\/2021 &#8211; 09:00 Por Pedro Peduzzi \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Bras\u00edlia<br>Edi\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Beraldo<\/p>\n\n\n\n<div id=\"50321\" class=\"advads-plantao advads-entity-placement\"><a href=\"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/\" target=\"_blank\" aria-label=\"site &#8211; noticia\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"follow external noopener noreferrer sponsored ugc\"><img src=\"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755.jpg 1200w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-150x38.jpg 150w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-660x167.jpg 660w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-768x194.jpg 768w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-1000x252.jpg 1000w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-1536x388.jpg 1536w, https:\/\/www.diariodeouropreto.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/titulosite2-e1616373489755-2048x517.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" width=\"1200\" height=\"303\"  style=\"display: inline-block;\" \/><\/a><\/div><p>Foto: Ricardo Junqueira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em meio a risadas de uma m\u00e3e em pleno trabalho de parto que veio ao mundo aquele que, para muitos, \u00e9 o maior dos poetas do rock brasileiro. 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