Foram realizadas na sexta-feira de ontem (03) as cerimônias da Sexta-Feira da Paixão, dia da liturgia cristã que rememora a crucificação, morte e sepultamento de Jesus Cristo. Em Mariana, o feriado nacional ganha contornos ainda mais sacros, com ritos tradicionais, imagens centenárias e presença do povo na figuração bíblica. Segundo estimativas da Arquidiocese de Mariana, cerca de 5 mil fiéis acompanharam a Cerimônia do Descendimento da Cruz, ministrada pelo Bispo da Diocese de Divinópolis, Dom Geovane Luís da Silva na Praça Minas Gerais.
Ao longo do sermão, Dom Geovane deu atenção especial para a necessidade dos fiéis seguirem os ensinamentos bíblicos presentes na páscoa para defenderem os valores da fé, do amor e da justiça social, participando ativamente do apoio aos pobres e sofredores.“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”, disse o sacerdote em referência à Sexta-Feira da Paixão e o sacrifício de Cristo presente na narrativa bíblica. Ao longo do sermão, o prelado também dedicou reflexões sobre o abandono das pessoas por parte do Estado, além das vítimas de desastres ambientais em Minas Gerais, com destaque para os incidentes de Mariana, Brumadinho e da Zona da Mata.
Como muitos clérigos, Dom Geovane iniciou sua trajetória sacerdotal em Mariana, no Seminário Maior São José. Em entrevista, o bispo agradeceu a oportunidade de participar das cerimônias em Mariana, “Retornar hoje à cidade de Mariana foi para mim um grande presente de Deus, pois a minha vida está intimamente ligada a esta igreja particular. Aqui tive a alegria de receber a minha formação presbiteral e também quando fui ordenado bispo eu estava exercendo o ministério desta diocese tão querida. Retornar aqui é retornar o meu primeiro amor, sou grato a Deus por isso”.

Após o sermão, foi realizada uma procissão, que transportou a imagem do Senhor Morto para a Catedral da Sé, atravessando o centro histórico da cidade. O percurso da procissão durou cerca de 1 hora e contou com milhares de fiéis, entre eles centenas de marianenses que fizeram parte da figuração de personagens bíblicos, como os apóstolos, profetas, evangelistas e anjos. O processo de criação e distribuição dos figurinos é um esforço coletivo da comunidade marianense, como conta Tânia Maria da Silva Pereira, fiel responsável pela figuração, “Tudo aqui feito com a gente mesmo a gente tem os voluntários que costuram, os que bordam, né?”. Montados, os figurinos são distribuídos entre os moradores interessados em figurar.
Para a reportagem, Tânia também compartilhou seus sentimentos sobre sua atuação nas cerimônias, “[Sinto] gratidão mesmo, que assim, envolve todo mundo e fica todo mundo naquele contexto, né, da fé. Esse ano foi melhor ainda, porque todo mundo se envolveu mais, as processões ficaram melhores, o figurado aumentou muito e cada ano que passa a gente vê o resultado do nosso trabalho. Cada ano vai ficando melhor. E ano que vem vai ficar melhor ainda.”.

Concluída a procissão, o Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton, fez um apelo para que as lideranças mundiais se orientem em favor do destino da humanidade, pedindo para que eles busquem a paz e que façam isso se não pela fé, mas pela defesa da vida humana. O sacerdote também dedicou suas intenções àqueles impossibilitados de praticar a fé por causa dos conflitos, fazendo um apelo para apoiar àqueles que estão vitimados pela guerra.
Além das cerimônias da noite, que marcam o descendimento da cruz, a Sexta-Feira Santa também contou com Vias Sacras pela manhã, aludindo ao Calvário de Jesus e pela tarde o tradicional Beijo da Cruz, rememorando a Paixão de Cristo, que dá nome à data comemorativa.

A Semana Santa ruma ao seu fim, com as cerimônias de Vigília Pascal do Sábado de Aleluia e por fim o Domingo de Páscoa, que encerra as celebrações da Semana Santa com a Ressurreição de Cristo, que marca o centro do ano litúrgico para a população cristã.
Confira alguns registros fotográficos da Sexta-Feira da Paixão em Mariana:




















Por Anahí Santos – reportagem e fotos



