Decreto que proclama oficialmente a Irmandade Histórica entre Ouro Preto e Aiuruoca foi assinado durante o Festur /Foto: Patrick de Araujo

Na última sexta-feira, 12, durante o terceiro dia da 6ª edição do Festur (Fórum de Turismo), o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, assinou o Decreto nº 9.280, que proclama oficialmente a Irmandade Histórica entre Ouro Preto e Aiuruoca e institui o conceito cultural do “Eixo da Mineiridade”. Além do chefe do Executivo ouro-pretano, o documento foi subscrito por representantes dos municípios de Aiuruoca, Ouro Branco e Ouro Fino, consolidando uma ampla aliança de integração regional. A ação, que aconteceu no Centro de Convenções da UFOP, promulga um marco para a preservação e valorização da identidade mineira da nossa região e do Sul de Minas.

Elos históricos e herança compartilhada

A iniciativa resgata conexões profundas do século XVIII que moldaram o território de Minas Gerais. Enquanto Ouro Preto, a antiga Vila Rica, consolidou-se como o coração político da Capitania e o altar da Inconfidência Mineira, Aiuruoca representa a célula originária da ocupação do Sul de Minas, nascida sob as campinas da Mantiqueira e fortemente ligada às primeiras expedições auríferas daquele século. Essa união histórica é respaldada, fundamentalmente, pela trajetória do Capelão João de Faria Fialho, personagem que inscreveu seu nome na história de ambas as localidades ao fundar o Arraial do Padre Faria em Vila Rica e, simultaneamente, desbravar os sertões do Sul mineiro.

Além dos caminhos do ouro, a literatura setecentista e os laços de sangue reforçam essa proximidade secular. A célebre epopeia Vila Rica, escrita pelo inconfidente Cláudio Manoel da Costa, uniu em versos as paisagens de Aiuruoca à grandeza simbólica de Ouro Preto, eternizando a ligação poética e geográfica entre as duas regiões. Do mesmo modo, as linhagens familiares associadas aos movimentos inconfidentes estabeleceram vínculos históricos com o território de Aiuruoca, integrando o Sul do estado à geografia moral da liberdade que teve em Ouro Preto o seu palco principal.

Diretrizes e ações do Eixo da Mineiridade

O decreto, além de ser um reconhecimento simbólico, cria o Eixo da Mineiridade como um corredor histórico-geográfico que simboliza o fluxo civilizatório entre o Sul de Minas e o Quadrilátero Ferrífero. O texto oficial destaca que a identidade mineira não deve ser compreendida por fragmentos isolados, mas sim como um tecido contínuo feito de montanhas, memórias, fé e coragem.

A partir dessa consolidação institucional, as cidades signatárias pretendem celebrar a memória compartilhada e promover uma efetiva integração cultural, educacional e turística, valorizando o patrimônio material e imaterial que testemunha essa formação comum. O decreto prevê o estímulo a ações conjuntas de cooperação técnica voltadas para a preservação documental e o desenvolvimento turístico integrado. O Executivo municipal também poderá autorizar a instalação de marcos comemorativos alusivos à irmandade, incentivar eventos culturais conjuntos e instituir um selo simbólico representativo do novo eixo.

Com este novo pacto, os municípios envolvidos dão um passo definitivo para fortalecer o turismo cultural regional, garantindo que a história compartilhada entre o Sul e a região central do estado permaneça viva e gere novas oportunidades de desenvolvimento.

Por: Bruno Willens  – Assessoria Prefeitura de Ouro Preto