Os candidatos Orlando Caldeira, Rene Butekus, Lílian França, Pedro Sousa e Deyvson Ribeiro receberam milhares de votos em seus municípios, mas não conseguiram se eleger ao cargo de deputado estadual. Apesar da derrota nas eleições, o desempenho dos candidatos demonstra campanhas eficientes e força política dos candidatos. Caso as eleições fossem decididas somente pela região dos inconfidentes, os candidatos estariam eleitos.

Ex-prefeito de Itabirito e candidato mais votado no município, Orlando Caldeira (PSDB) recebeu 12.330 votos em Minas Gerais, desses, 8.263 vieram de Itabirito e o colocaram como o candidato mais votado na cidade. Em segundo lugar fica Rene Butekus (PSD), vereador itabirense que conseguiu mais de 6 mil votos, com 83% dos seus eleitores vindo de Itabirito. Apesar das votações expressivas, nem Orlando Caldeira nem Rene Butekus obtiveram votação para assumirem um cargo, ficando como suplentes de deputado em seus partidos.

Em Ouro Preto, Lílian França (PP) foi a candidata mais votada a não se eleger, com 4.716 votos. A vereadora ouro-pretana recebeu 7,02% dos votos válidos na cidade e foi a terceira colocado no município, com uma votação consideravelmente maior que a alcançada durante sua eleição para vereadora, quando fez 889 votos. Lílian França obteve uma votação consideravelmente maior que outros candidatos ouro-pretanos, superando Júlio Pimenta (1.850 votos), Du Evangelista (1.747 votos) e Jéssica Mara (424 votos). Apesar do bom resultado, a vereadora ainda ficou atrás do deputado estadual Leleco Pimentel entre os candidatos ouro-pretanos que disputaram as eleições para deputado estadual.

Em Mariana, o candidato local mais votado foi Pedro Sousa (PV), que obteve 3.459 votos para deputado estadual. A maioria dos votos vieram do município de Mariana, onde conseguiu 3.004 votos e ficou em segundo lugar entre os mais votados, atrás apenas de Noraldino Júnior, candidato apoiado pelo prefeito Juliano Duarte e pelo deputado eleito Duarte Junior. Pedro também conseguiu uma votação 5 vezes maior do que a obtida em sua campanha para vereador em 2024, quando recebeu 620 votos. Deyvson Ribeiro (União), por sua vez, obteve 2.852 votos e ficou em quarto lugar entre os mais votados em Mariana, recebendo 1.870 votos no município. Apesar da boa votação, Deyvson obteve uma quantidade menor de votos que na eleição passada, quando recebeu 3.221 votos para deputado estadual em 2022. A queda dos votos pode significar tanto um menor apelo político quanto a disputa de votos com outros candidatos locais.

Causas para a boa votação

Orlando Caldeira (PSDB) – por: ICLEI World Congress
Renê Butekus (PSD) – por: acervo pessoal
Lílian França(PP) – Acervo Pessoal
Pedro Sousa (PV) -por: Câmara Municipal de Mariana
Deyvson Ribeiro (União)- por TSE

Alguns fatores explicam a boa colocação desses candidatos nos municípios. No caso de Orlando Caldeira, o ex-prefeito recebeu o apoio de diversos vereadores de Itabirito, além do deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB) e do candidato ao senado e ex-governador Aécio Neves (PSDB). Rene Butekus, por sua vez, pôde contar com o apoio do deputado federal Diego Andrade (PSD) e de aliados locais em Itabirito, como o vereador Max Fortes, também do PSD.

Os candidatos Pedro Sousa e Lílian França também contaram com o apoio de deputados populares e influentes. Lílian contou com apoio do deputado federal reeleito Pinheirinho (PP), colega de partido de Lílian e herdeiro político da família Pinheiro, uma das principais oligarquias mineiras. Já Pedro Sousa contou com o apoio da deputada estadual e deputada federal eleita Lohanna França (PV), correligionária de Sousa e uma das forças políticas em ascensão em Minas Gerais, representando a região de Divinópolis. É possível perceber que a aliança política ajudou ambos os candidatos, com Pinheirinho recebendo boa votação em Ouro Preto e Lohanna tendo bom desempenho em Mariana.

Por quê não se elegeram?

Para se eleger, o partido do candidato deve conseguir pelo menos um quociente eleitoral, que neste ano foi  de 214.720 para dep. federal e 146.874 para dep. estadual. Assim, o número total de votos no partido é dividido entre os candidatos, com os mais votados dentro do partido assumindo as cadeiras. Para assumir um mandato eleito, é necessário receber pelo menos 10% do quociente (21.472 votos para federal e 14.687 para estadual). Apesar disso, não é necessário obter essa votação para assumir como suplente, bastando apenas que o candidato eleito se ausente do cargo.

Reportagem por Anahí Santos