Moradores do distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto, realizaram nesta quinta-feira (15) uma manifestação para cobrar avanços no processo de reparação dos danos relacionados à mineração e ao risco de rompimento da Barragem Doutor. Organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o ato teve como objetivo pressionar o poder público e as instituições de Justiça pelo atendimento às reivindicações da comunidade, que incluem o reconhecimento de atingidos, a reparação individual e coletiva e medidas diante dos problemas de saúde enfrentados no distrito.
Durante a mobilização, foram entregues documentos com as reivindicações dos moradores ao Fórum de Ouro Preto e ao Ministério Público. A iniciativa busca pressionar pelo avanço de um processo de reparação que, segundo o movimento, segue sem resultados efetivos. “Há um processo de reparação em curso que não tem avançado, e a comunidade precisa pressionar para que isso aconteça. Desde 2020, as pessoas convivem com a situação de risco de rompimento da Barragem Doutor sem reparação”, afirma Letícia Oliveira, integrante do MAB na região de Mariana e Ouro Preto.
Entre as principais cobranças está a agilização do cadastramento das pessoas do distrito como atingidas pelo risco de rompimento da estrutura. O movimento também reivindica o reconhecimento dos garimpeiros e das garimpeiras tradicionais como atingidos e a efetivação das reparações destinadas a esse grupo. Para Letícia, a mobilização representa uma tentativa de ampliar a pressão sobre as instituições responsáveis e dar visibilidade às demandas que persistem na comunidade.
A saúde dos moradores também está entre as preocupações apresentadas. A população relata problemas respiratórios associados à poeira, além de impactos na saúde mental provocados pelo medo relacionado ao risco da barragem. Ela afirma que a insegurança permanece inclusive entre pessoas que não foram removidas de suas casas e que ainda buscam maior clareza sobre as condições de segurança em que vivem.
A manifestação também se insere em uma mobilização mais ampla por direitos e reparação em Antônio Pereira. Entre as pautas divulgadas antes do ato estão a melhoria das condições de saúde, o acesso à água limpa, a revisão dos locais de monitoramento da qualidade do ar e a efetividade do levantamento de danos conduzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), perita da Justiça no processo envolvendo a mineradora Vale. O movimento ainda cobra medidas de prevenção e redução dos impactos da atividade minerária no distrito.
Para Letícia, a participação de moradores de outras regiões de Ouro Preto pode contribuir para ampliar a visibilidade das reivindicações. Ela defende que a população procure conhecer a realidade do distrito, divulgue as demandas e demonstre solidariedade à luta dos atingidos. A mobilização, segundo a representante do MAB, busca garantir que os problemas enfrentados pela comunidade sejam reconhecidos e que as medidas de reparação avancem.
Texto: Davi Saporetti
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