Na manhã da última sexta-feira (19), na Escola Municipal de Campinas, subdistrito de Águas Claras, foi sancionada a lei que reconhece a instituição como escola quilombola. O projeto de lei é de autoria do Executivo Municipal e foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Mariana.
Para conquistar esse reconhecimento, é necessário que a instituição atenda majoritariamente estudantes quilombolas e esteja localizada em território reconhecido como quilombo pela Fundação Cultural Palmares.
O subdistrito de Campinas já havia sido certificado como comunidade quilombola em junho de 2025 pela Fundação Cultural Palmares, juntamente com o subdistrito de Barreto, no município de Barra Longa, formando a Comunidade Quilombola Barreto-Campinas.
Com a mudança, a Escola Municipal de Campinas passa a contar com um currículo adaptado para reconhecer e valorizar a ancestralidade e a cultura local, em consonância com os modos de vida, os saberes tradicionais e a memória oral da comunidade.
Na instituição, esses temas já vinham sendo trabalhados antes mesmo do reconhecimento oficial, como demonstrou o grupo de congado mirim da escola que abriu a cerimônia, celebrando a religiosidade afro-brasileira. Essas manifestações culturais possuem fortes raízes na comunidade, que também abriga a Folia de Reis de Nossa Senhora Aparecida, fundada na segunda metade da década de 1980.
Para a líder quilombola Roberta Alves, o reconhecimento marca um momento importante para a comunidade e demonstra que a resistência e a organização coletiva conseguem alcançar conquistas significativas. Já o coordenador da ATI Cáritas em Mariana, Vittor Policarpo, ressaltou a luta da comunidade pela permanência da instituição de ensino no território.
A assinatura da lei contou com a participação de autoridades municipais, além da estudante Maria Gonçalves Patrício, representando os alunos da escola, e de Ageu Simão, morador mais velho da comunidade.
Na ocasião, o prefeito municipal e o secretário de Educação reforçaram a importância da presença do poder público junto à comunidade e se comprometeram a ampliar as políticas públicas voltadas ao fortalecimento da identidade, da cultura e do pertencimento quilombola.
Após receber a demanda da comunidade para que a escola fosse reconhecida como escola quilombola, a equipe da Secretaria de Educação tratou a questão como prioridade, reconhecendo a importância dessa conquista para a valorização da educação pública, da história local e da identidade da Comunidade Quilombola Barreto-Campinas.

Por Pedro Henrique Hudson – Assessoria Prefeitura de Mariana
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