Não deu para contar tudo do assunto das touradas, na semana passada. Faltaram muitos detalhes do espetáculo. Comecemos pela “arquibanca”, uma espécie de assentos bem elevados, numa torrezinha de madeira, onde o contratante do espetáculo era obrigado a colocar tocadores de trompas e timbales, que eram tambores de campo de batalha. Mas também se usavam timbales africanos. 

E falando do principal toureiro, este era o maioral. Ele vinha vestido com luxo, no traje da época: tricórnio na cabeça (chapéu de três pontas), cheio de plumas, casaca de veludo de cor forte, bordada com fios de ouro ou prata, e colete de seda, com punhos e peitoral de rendas, Calções enfunados até os joelhos, meias e botas militares. O arreio do cavalo era igualmente enfeitado, detalhes de prata, crina e calda trançadas com fitas. Na mão, o cavaleiro carregava a lança longa de lidar com o bichão enfezado, que procurava chifrar a barriga do cavalo. Enfim, debaixo de ruidosas trombeteadas e aplausos, a entrada pomposa de um toureiro tão vistoso já era motivo de admiração da plateia.

Outros figurantes circulavam pelo curro, empunhando bandarilhas enfeitadas, que eram fincadas na cernelha do touro, para causar dor e aumentar a fúria. O toureiro a cavalo também carregava as suas, que fincava duas a duas. Difícil imaginar a crueldade da lide. Não consegui descobrir se a lança do toureiro era lança de morte, mas tenho pouca dúvida. 

Os toureiros menores ou bandarilheiros, a pé, tinham de se apresentar pintados de branco e vermelho, com roupa plebeia, mas vistosa e colorida. Eram pelo menos seis deles. A roupa e a pintura do corpo constavam das obrigações do contrato. Na cabeça, um chapéu de abas, repleto de contas de vidro e fitas coloridas. Até imagino que a inspiração do tradicional chapéu de fitas de alguns congados veio daí, copiados das touradas. Quem vai saber? Coisa nossa, de brasileiros mestiços que somos. Reinventa-se tudo, transforma-se tudo, para melhor. Graças a Deus, por quem somos.

Por: Kátia Maria Nunes Campos