Programação em cidades mineiras reúne atividades culturais, homenagens e manifestações; comunidades atingidas seguem cobrando direitos e reparação integral

Em 2026, o mês de novembro será marcado pelos 11 anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, e será lembrado com uma série de atividades culturais, atos de memória e mobilizações políticas entre os dias 3 e 7 de novembro. A programação, organizada por movimentos sociais e organizações ligadas às comunidades atingidas, contempla ações em Mariana, Ouro Preto, Acaiaca, Governador Valadares e Belo Horizonte. Além de homenagear as vítimas da tragédia, as iniciativas buscam dar visibilidade à continuidade das reivindicações por justiça, garantia de direitos e reparação integral dos danos provocados pelo crime.

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da Barragem de Fundão, de responsabilidade da Samarco, empresa controlada pela Vale e BHP Billiton, liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades, entre elas Bento Rodrigues, em Mariana, e atingiu o Rio Doce, percorrendo municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo até alcançar o litoral. O desastre provocou a morte de 20 pessoas e deixou profundas consequências ambientais, sociais e econômicas nos territórios afetados.

Mais de uma década depois, as populações atingidas continuam enfrentando os efeitos da destruição de seus territórios e cobrando respostas para os prejuízos sofridos. A organização das atividades deste ano envolve a Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão (CABF), a Cáritas MG, por meio da Assessoria Técnica Independente de Mariana, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Frente Mineira de Luta das Atingidas e dos Atingidos pela Mineração (FLAMa), o Jornal A Sirene, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Ouro Preto (ADUFOP), a Escola Família Agrícola Paulo Freire e o Projeto Cine Faísca. As organizações atuam em diferentes frentes de defesa das comunidades. 

Além das atividades de memória, a programação busca fortalecer a mobilização em torno de reivindicações que permanecem em discussão. Em convocação para o ato do dia 6, o MAB destaca a cobrança pela ampliação do prazo do Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e do acesso ao Programa de Transferência de Renda (PTR), além da implementação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB).

O movimento também reivindica avanços nas políticas de moradia e saneamento básico, a destinação de recursos de um fundo para enfrentamento das enchentes diretamente às pessoas atingidas e a garantia dos direitos das mulheres. Outra cobrança é o pagamento referente aos 54 meses, apontado pelo movimento como uma reivindicação histórica das comunidades da Bacia do Rio Doce. A mobilização também pretende apresentar as demandas ao governo estadual e cobrar o compromisso das instituições responsáveis pelo processo de reparação.

Ao completar 11 anos, o crime de Fundão permanece como uma ferida aberta para as comunidades atingidas. A programação deste mês reúne memória, cultura e mobilização social para reafirmar que, para além da lembrança do desastre, a luta por justiça, reconhecimento e reparação continua presente nos territórios afetados.

Confira a programação:

5 de novembro (quinta-feira)

Pela manhã: Ato no território de origem de Bento Rodrigues, em Mariana.

9h: Atividade “11 anos da morte do Rio Doce”, em Governador Valadares.

16h: Ato e distribuição do Jornal A Sirene na Praça Gomes Freire (Jardim), no Centro de Mariana.

16h10: Reabertura do Bar da Sandra, no reassentamento Novo Bento Rodrigues.

19h: Encontro do MAB com a juventude e grupo de hip-hop, no bairro Santo Antônio, em Mariana.

19h às 21h: Reunião especial “Onze anos de Fundão: memória, justiça e reparação”, na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

6 de novembro (sexta-feira)

9h: Encontro “Atingidos e atingidas na Bacia do Rio Doce: 11 anos de luta por soberania, reparação e direitos”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte.

14h: Caminhada pela soberania, reparação integral e direitos, em Belo Horizonte.

7 de novembro (sábado)

8h: Exposição fotográfica “Paracatu não esquece: da memória à luta”, no reassentamento de Paracatu de Baixo, em Mariana.

Foto: Thomaz Silva


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