Em coletiva de imprensa, escritório de advocacia que defende os atingidos pelo crime e Fundão autores da ação comemoram a decisão de juíza britânica

Na manhã desta sexta-feira, 14/11 atingidos, representantes do poder público e representantes do escritório de advocacia, que representou brasileiros na ação que buscava a responsabilização da Mineradora BHP, realizaram reunião conjunta online pela plataforma Zoom.  Foram respondidos perguntas a jornalistas de vários lugares do mundo. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, participou ao lado de seu irmão Duarte Júnior, prefeito na ocasião do rompimento da barragem, e comemorou a decisão. 

Juliano Duarte ressaltou que sofreu pressão para assinar o acordo de reparação, mas se recusou por acreditar na decisão da justiça britânica em condenar a mineradora BHP pelo ocorrido em 2015. O atual prefeito de Mariana também destacou que o acordo no Brasil, em sua opinião, beneficiou mais a união e o Governo do Estado, acordo que segundo ele não ouviu os atingidos e os municípios. 

Essa opinião foi compartilhada pelo irmão, ex-prefeito de Mariana, Duarte Júnior, que aproveitou para parabenizar o atual prefeito por não assinar o acordo e buscar a justiça.

Durante a coletiva atingidos falaram

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso afirmou estar satisfeito e feliz em ter participado do processo que para ele representa um paradigma, uma referência para o mundo, quando uma empresa internacional foi responsabilizada por um crime num território em que apenas se explorava das riquezas minerais. O ministro afirmou que não há necessidade de uma homologação desse veredito pela justiça brasileira, pois representa uma decisão de um país que é o mesmo em que a empresa tem seus bens.

Durante a reunião o escritório representante do escritório da defesa da ação movida contra mineradora BHP, explicou que apesar da mineradora afirmar que irá recorrer da decisão, a justiça na Inglaterra funciona de maneira diferente da brasileira, onde é necessária uma autorização da corte para se realizar o apelo de recorrer a uma decisão.

Foi divulgado um cronograma, ainda em negociação, sobre os próximos passos para se executar a condenação e também fixar um valor de indenização as vítimas, sendo elas pessoas físicas e/ou municípios. Houve em paralelo uma negociação feita entre o escritório representante dos que movem ação e a mineradora, segundo representante do escritório que defende os clientes brasileiros, esse processo de negociação já vem acontecendo mesmo antes da decisão de condenação da mineradora BHP. 

Em 17 e 18 de dezembro será realizada uma audiência para discutir os próximos passos e prazos, além de discutir como irá se desdobrar a fase de quantificação de danos. Em outubro de 2027  está marcado o início de uma audiência de julgamento, na qual será avaliado por um juiz, qual a extensão dos danos por meio de casos modelo, a expectativa é que essa audiência dure por volta de seis meses.

Representante da defesa dos atingidos explicou que é utilizado casos modelo em que ação se assemelhe e neles se baseia a audiência e o julgamento.

A reunião também contou com a participação de Gelvana Rodrigues, mãe do menino Thiago, que morreu aos 07 anos em decorrência do rompimento da barragem, segundo ela o data de hoje pode ser resumido em um sentimento de gratidão, e essa condenação para ela é a justiça a qual ela aguardava todo esse tempo. “A vida do meu filho não tem preço, ele não estava à venda, então essa condenação para mim é a justiça”.

Por Luccas Castro