Ouro Preto – A Comissão da Educação da Câmara visitará na próxima segunda-feira, 14/07, as quatro escolas estaduais apontadas pelo governo de Minas para se tornarem cívico-militar. Já na próxima reunião da Câmara, a Tribuna Livre será ocupada por representantes do SindUte que explicará as consequências do projeto cívico-militar.

Em Ouro Preto as Escolas Estaduais Marília de Dirceu, Dom Pedro II, Professora Daura de Carvalho Neto e a Escola Padre Afonso deverão chamar assembleia-geral com suas comunidades até o dia 18/07, para responder ao memorando se aderem ou não.

O vereador Matheus Pacheco, que é professor, participou ontem da audiência pública da Assembleia legislativa sobre a proposta de tornar cerca de 700 Escolas Estaduais em cívico-militar. O vereador frisou que não há legislação, ou decreto do governador para o assunto. 

De acordo com Matheus Pacheco, “se o problema é segurança nas escolas, o governador deveria aumentar o patrulhamento, se o problema fosse no ensino deveria ter valorizado mais os professores. Se o problema fosse a evasão, deveria ter melhorado a merenda escolar, e incrementado na rede estadual de educação a presença dos psicólogos, dos pedagogos, dos assistentes sociais. Então o que o governador oferece a Militarização. A presença dos militares nas escolas não é para proteger, é para controlar”.

Segundo Matheus, tem alguém enganando o governador, pois os policiais não estão favoráveis a ele não. Disse que tem boa relação com a polícia Militar e que a corporação tem sido apoiada com emendas parlamentares para aquisição de coletes balísticos e viaturas.

“O que o governador Romeu Zema quer é acenar ao nível nacional, como talvez um candidato da extrema-direita. Agora revisão do plano de carreira dos policiais militares, ele fez? Não fez. Valorização dos servidores em segurança pública, dos nossos servidores da polícia penal, aumentar a abrangência do IPSEMG. Conseguimos que a santa Casa se credenciasse, só que o IPSEMG deu um calote, porque não reconhecia as consultas eletivas, e nós perdemos de novo o convênio em Ouro Preto. Por que o Governador romeu Zema não amplia a política pública do Proerd? Que é super interessante, porque não coloca recurso nisso, que é a política contra as drogas, para poder ir para mais escolas, que é um projeto fantástico […] isso ele não quer debater. Melhoria nos salários, ninguém quer dar aula no Estado, o salário é uma vergonha, isso também o governador não quer conversar”. 

O vereador Wemerson Titão informou que a comunidade de Antônio Pereira foi pega de surpresa com a proposta de tornar a Escola Estadual Daura de Carvalho em cívico militar. Ele disse que a iniciativa do governador é uma atitude para “ludibriar” a população, falou que o prazo é curto, justamente no momento de férias, que busca uma votação rápida, sem ouvir a comunidade. “Então senhor governador, as artimanhas que o senhor tem usado para tentar ocupar uma cadeira de presidente, ou outra coisa que você almeja, está contra o povo. Tudo que tem que acontecer, a comunidade e o povo tem que ser ouvido primeiramente. A diretoria e a comunidade precisa de tempo, e não aproveitar o momento de férias e não impor. Quando os alunos voltarem, já voltam com a escola totalmente mudada”.

Por Marcelino Castro