Ouro Preto – A Saneouro está implantando no Ribeirão do Funil a Estação Produtora de Água de Reuso (Epar) Osso de Boi, que vai tratar 100% do esgoto coletado na sede da cidade. O investimento total previsto na construção da estação é de R$ 40 milhões. As obras começaram em março e tem previsão de conclusão em julho de 2026. Hoje são 35 pessoas trabalhando no projeto, o qual já tem 24% das obras concluídas.
Os primeiros equipamentos para a construção da estação chegaram em 2022. Após o licenciamento ambiental pelo Governo de Minas as obras iniciaram. A estação de tratamento também será importante para a cidade de Mariana, que recebe as águas do Ribeirão do Funil.
Na última quarta-feira,13/08, o superintendente da Saneouro, Evaristo Bellini e o coordenador de projetos, Diógenes Almeida, acompanharam a reportagem do diário de Ouro Preto às obras da Epar, situada no Caminho da Fábrica.
Segundo Evaristo Bellini, a Epar além de tratar o esgoto, gerará água de reuso para utilizada, por exemplo, em combates a incêndios florestais. Ele explicou que uma estação elevatória canalizará o esgoto a unidade de tratamento, que em julho de 2026, entrará em funcionamento a primeira fase de implantação com capacidade de tratamento de 62 litros por segundo. Na segunda fase a Epar chegará em sua capacidade plena filtrando 125 litros por segundo. “Essa estação foi projetada para tratar todo o esgoto gerado na sede de Ouro Preto, além de melhorar a qualidade de vida da população, o esgoto tratado vai permitir a despoluição do ribeirão”, afirma Evaristo.

O Coordenador de projetos, Diógenes Almeida, explicou que já foram realizadas obras de terraplanagem e das contenções como construção de gabião e solo grampeado.
A primeira fase de terraplanagem, compreende as atividades de escavação, aterro, compactação, drenagem e curvas de nível, que garantem o nivelamento do terreno para a posterior construção civil. Já a fase de contenção auxilia a terraplanagem e dá estabilidade a alguns taludes.
Atualmente está na fase de concretagem, já com implantação das estruturas dos tanques dos diferentes processos de tratamento. Já foram concretados, tanque de lodo, tanque de contato e de reatores. No momento está sendo concretado o decantador.
Tecnologia da Estação
A ETE Osso de Boi vai utilizar a tecnologia norueguesa de tratamento aeróbico de esgoto CFIC, que consiste na instalação de filmes de suporte para o crescimento de material biológico. Logo na entrada da estação, o efluente passa por gradeamento para retirada de material grosseiro. Na sequência, vai para caixa desareadora, onde são retiradas as chamadas sujeiras finas.
Dali, segue para uma estação elevatória e chega até a entrada do processo de tratamento, composto por reatores biológicos que retiram cerca de 80% do material orgânico e que oxidam parcialmente o nitrogênio; adensamento do lodo em centrífugas; e desinfecção final. Após essa etapa, a água, já tratada, volta ao corpo hídrico, que no caso é o Ribeirão Funil.
Saiba mais – Dados históricos apontam que Ouro Preto teve o primeiro sistema de tratamento de esgotos da América Latina, construído no século XIX. Os tanques de desinfecção ainda se encontram na região da Barra, ao fim do Beco da Mãe Chica, mas estão desativados.
Atualmente, a Saneouro opera uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), localizada no distrito de São Bartolomeu. Com isso, o índice de esgoto tratado, diante do que é coletado em todo o município, é de 0,67%.
Por Marcelino Castro

