Morreu o cineasta, professor universitário e crítico de cinema Jean-Claude Bernardet, uma das referências do cinema brasileiro. Bernardet foi vitimado por um câncer de próstata reincidente, falecendo na sexta-feira (11), aos 88 anos.

Professor nos cursos de cinema da Universidade de Brasília (UnB), da qual foi um dos fundadores, e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Bernardet teve papel marcante na construção e fortalecimento da Cinemateca Nacional

Cinemateca Brasileira divulgou nota sobre o falecimento de Jean-Claude, na tarde deste sábado,12/07, leia na íntegra:

Nota de pesar pelo falecimento de Jean-Claude Bernardet

Velório do crítico, cineasta, roteirista, escritor e ator será realizado neste domingo, 13/7, das 13h às 17h, na Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira lamenta profundamente o falecimento de Jean-Claude Bernardet, nome fundamental do cinema no país e grande amigo da instituição. O crítico, cineasta, roteirista, escritor e ator morreu aos 88 anos na manhã deste sábado (12).

Aberto ao público, o velório será realizado na Cinemateca neste domingo (13), das 13h às 17h.

Nascido em 2 de agosto de 1936 na Bélgica, Jean-Claude Georges René Bernardet cresceu em Paris, na França, e chegou por aqui com a família aos 13 anos, onde se naturalizou brasileiro.

Figura central e incontornável do pensamento e da produção cultural brasileira, na historiografia do cinema nacional, Jean-Claude Bernardet foi parceiro fundamental da construção da Cinemateca.

Na instituição, passou por diversas funções sempre com foco no seu desenvolvimento e fortalecimento. A Cinemateca guarda o Arquivo Jean-Claude Bernardet, que foi doado por ele à instituição em 1988 e foi acrescido com novos materiais nos anos que se seguiram, consolidando ainda mais o legado de Bernardet no âmbito da pesquisa e difusão do cinema e da cultura.

Professor, crítico, cineasta, roteirista, romancista e ator, Bernardet teve uma atuação vasta. Um nome de importância ímpar nos estudos de cinema no Brasil, teve uma capacidade excepcional de análise de forma totalizante, acreditando na interlocução entre a crítica e a produção cinematográfica.

Foi professor universitário no Depto. de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP sempre propondo ideias ousadas em relação ao ensino. Jean-Claude co-roteirizou filmes como O caso dos irmãos Naves (1967), Brasília: contradições de uma cidade nova (1968) e Um céu de estrelas (1995); co-dirigiu títulos como Paulicéia fantástica (1970) e Eterna esperança (1971); e atuou em Filmefobia (2009), Periscópio (2013), Fome (2015), entre outros. Dois ensaios poéticos dirigidos por ele, marcaram sua trajetória como pesquisador: São Paulo, Sinfonia e Cacofonia (1994) e Sobre Anos 60 (1999).

Em dezembro de 2023, a Cinemateca apresentou ao público a mostra Carta Branca a Jean-Claude Bernardet, uma seleção de seis filmes com curadoria do próprio Jean-Claude. Além da mostra de filmes, o evento também contou com o lançamento do livro WET MÁCULA: MEMÓRIA/RAPSÓDIA, de Jean-Claude Bernardet e Sabina Anzuategui.

O velório será neste domingo (13 de julho), na Cinemateca Brasileira, entre 13h e 17h.

Aos familiares, amigos e admiradores de Jean-Claude, a Cinemateca expressa seu pesar e solidariedade.


CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana


CINEMATECA BRASILEIRA

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social.

O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 40 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

Fonte: Agência Brasil/Assessoria Cinemateca Brasileira

Foto: Associação Brasileira de Cinematografia