Em entrevista exclusiva a atriz falou sobre Leis de incentivo à Cultura, após Roda de Conversa promovida pela Mostra
Ouro Preto – A homenageada da 20ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, Marisa Orth passeou e fez muitas fotos na manhã ensolarada desta quinta-feira, em seguida seguiu para o Centro Artes e Convenções da Ufop, onde participou da roda de conversa “Temática Histórica – O humor das Mulheres”. Logo após, recebeu os jornalistas e respondeu às perguntas.

Conversa nesta quinta 26/06 – Foto: Marcelino Castro
A temática histórica da 20ª CineOP propõe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema, com foco na atuação das mulheres, tanto na frente quanto nos bastidores das produções audiovisuais. A mostra homenageia em 2025 a atriz Marisa Orth como um dos principais talentos do humor e das artes cênicas no país. Com carreira que transita entre o cômico e o dramático, a televisão e o teatro, o popular e o cult, ela se consolidou como figura multifacetada e autêntica. Sua mais icônica personagem, Magda Antibes, da sitcom “Sai de Baixo”, é lembrada ainda hoje pela crítica irônica aos lugares-comuns da representação feminina, trazendo à tona questões profundas e sempre bem-humoradas sobre o tema.
Perguntamos sobre a lei Federal de Incentivo à Cultura que viabiliza a Cineop, ela respondeu “Graças a Deus”. Quando foi perguntada sobre a inclusão das empresas de lucro presumido na Lei, que há 10 anos tem projeto de Lei tramitando no congresso, explicou que o mecanismo é estigmatizado.
Marisa Orth destacou que diversos setores têm incentivos fiscais, que as pessoas não procuram saber. “Tem um monte de leis de incentivo para um monte de setores da nossa sociedade, que vai muito mais dinheiro. Eu não suporto quando vejo gente dizendo que são os artistas que arruinaram o PIB do Brasil, não suporto, que mesmo antes dessa lei, sempre a verba destinada à Cultura é 1 % do orçamento, se chegar a 1% meu Deus! A Cultura é sempre aquela coisica”.
A atriz disse que já realizou projeto pela Lei Rouanet, que formou público e que tem o retorno do público com a experiência de ir ao teatro. “É muita contrapartida social. Atingimos gente para caramba, e deu certo, sabe? E daí você tem o retorno dessas pessoas. A gente criou público, ônibus, ônibus e ônibus de gente, gente chorando, que nunca foi ao teatro. […] A importância da gente democratizar a cultura. Parar com esse papo de que Cultura é só coisa pra rico. Mas que coisa, isso atrasa o país e atrasa o artista que ganharia mais dinheiro. O país ia ficar mais rico. Eu acho isso (a ideia central de crítica da Lei Rouanet) ignorância, uma coisa medieval, uma coisa malvada você regular a cultura assim, eu fico puta”, se indignou.
Por Marcelino Castro


