Cerca de 220 mil m³ de água vazaram de estrutura na Mina da Fábrica, levando 200 trabalhadores à evacuação

Cerca de 220 mil metros cúbicos de água extravasaram de um dique da mineradora Vale na madrugada do último domingo (25/1), no distrito de Pires, em Congonhas, na divisa com Ouro Preto. O transbordamento ocorreu em uma estrutura da Mina da Fábrica e provocou alagamento em áreas operacionais da mineradora vizinha CSN, onde a água chegou a aproximadamente 1,5 metro de altura, atingindo escritórios, oficinas e almoxarifado.

De acordo com informações da Prefeitura de Congonhas, cerca de 200 trabalhadores precisaram ser evacuados do local por medida de segurança, e alguns ficaram isolados por cerca de uma hora. A inundação também interrompeu a captação de água e paralisou temporariamente as operações da CSN. Equipes da Defesa Civil de Minas Gerais e do Corpo de Bombeiros foram acionadas e realizaram vistorias na área ainda no domingo, acompanhando os primeiros trabalhos de limpeza e contenção.

O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, afirmou que foi surpreendido ao saber que a estrutura que extravasou não estava sendo monitorada. “É uma surpresa para nós que isso não estava sendo monitorado. Deveria estar sendo monitorado porque, ainda que não seja uma barragem de rejeito de minério, é uma barragem de água, um dique que comporta um volume muito grande de água”, disse em coletiva de imprensa, após acompanhar as vistorias no local.

Segundo Cabido, a água não teria carregado resíduos do interior da estrutura, mas sim materiais do entorno. Ainda assim, o volume extravasado é considerado significativo, embora represente cerca de 1,6% do total liberado no rompimento da barragem B3, há 7 anos atrás, em Brumadinho, em 2019, quando aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados. A Vale informou que aguarda a fiscalização ambiental para avaliar os impactos do ocorrido, enquanto a prefeitura segue monitorando a situação.

Foto: Prefeitura de Congonhas / Divulgação