Bento Rodrigues – Os Atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão realizaram, nesta quarta-feira, 5/11, levantamento de Cruzeiro no antigo adro da igreja de São Bento. Eles foram acompanhados de autoridades municipais, estaduais e federais. Caravanas de atingidos, estudantes e professores da Ufop, das assessorias técnicas se direcionaram para Bento Rodrigues para participar da manifestação.

 O Ato iniciou-se na capela de Nossa Senhora das Mercês, quando os atingidos de outras cidades explicaram como tiveram suas vidas modificadas. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, voltou a cobrar a reparação para o município. Ontem ele decretou luto oficial no município em memória às vítimas.

Os atingidos não estão sozinhos, essa foi a mensagem que demonstraram muitas pessoas, que acompanharam na manhã desta quarta-feira, o ato realizado para lembrar os 10 anos do rompimento da barragem de Fundão. 

Juliano Duarte deu as boas-vindas aos visitantes, disse que o município não foi contemplado na reparação, não ficou com nem 1% do valor do acordo “bilionário e a gente segue lutando por justiça, pelo nosso território, porque a cidade mais atingida não pode ser colocada na mesma situação”, ele encerrou sua fala apresentando sua solidariedade aos familiares das vítimas e dos atingidos. 

Promotores de Justiça que trabalharam no caso, estiveram presentes em solidariedade.  Representando o Ministério Público Federal, o procurador da República, Eduardo Aguiar, disse que foi expressar seu “sentimentos, a todos que perderam seus entes queridos, que perderam os laços de amizade, perderam suas casas, seus modos de vida, seus trabalhos, seus vizinhos […] a todos os milhares de atingidos, por este previsível e evitável crime, que foi o rompimento da barragem de fundão há exatos 10 anos”, concluiu.  

O reitor da Ufop, disse aos atingidos que a universidade “está inteiramente à disposição de vocês, para que a gente possa minimamente reconstruir a vida, levar uma condição melhor, para as pessoas, sobretudo para estar na luta com vocês, para que toda a reparação seja conquistada. Então, sintam que a universidade é parceira, é amiga e está com vocês”, agradeceu a atenção.

A Gerente Extraordinária do Rio Doce, Adriana Aranha, que acompanha a repactuação e aplicação dos recursos de responsabilidade do governo federal, também manifestou sua solidariedade aos atingidos. 

“Estamos muito emocionados por estarmos aqui. O governo federal, o governo do presidente Lula, que tem vários ministros envolvidos na reparação,  nesse acordo. Temos certeza que hoje é um dia de dor, um dia de luta e de luto, e que nós vamos juntos reconstruir toda essa história, toda a vida dessa região e de toda a bacia do Rio Doce”.

Questionada sobre o contato com os atingidos e a emoção de estar na primeira localidade atingida pela lama, Adriana Aranha disse que a emoção “é muito forte, porque 10 anos é uma vida, é uma vida esperando reparação, uma vida esperando justiça e o governo federal acredita que, juntos aos atingidos, tanto dentro do Conselho de participação popular, que foi criado para acompanhar o acordo, […] O governo federal quer executar esse acordo junto com a comunidade, junto com os atingimos. Eles sabem como salvar e recuperar a região. que eles sempre viveram”, concluiu.

Fé e resistência

O Ato em Bento Rodrigues, pode ser entendido como uma prévia das manifestações esperadas no próximo domingo em Mariana, quando será realizada a 8ª Romaria das Águas e da Terra, promovida pela Arquidiocese de Mariana.

Na esquerda Adriana Aranha ao lado do Padre Marcelo Santiago

Em uma demonstração de resistência, o Padre Marcelo Santiago, mesmo em tratamento oncológico, fez questão de estar presente nas atividades, mesmo debaixo do sol que não pode tomar pelo tratamento, mas em sintonia com o povo. Um exemplo de força e dedicação ao seu sacerdócio, com alegria e um sorriso no rosto queimado de sol.

Luto Oficial

O dia 5 de novembro é uma data que a população de Mariana não deixa passar em branco, o prefeito Juliano Duarte, decretou luto oficial nesta quarta-feira, em memória às vítimas. 

Por Marcelino Castro