Neste domingo (05) foi comemorada a Páscoa, data comemorativa que celebra a ressurreição de Jesus, crença central do cristianismo. Dentro da liturgia cristã, a Páscoa ocupa também o centro do ano litúrgico, concluindo as cerimônias da Semana Santa e promovendo apelos pela reflexão e solidariedade. Em Mariana, a data se torna ainda mais importante por conta do intenso envolvimento da comunidade nas comemorações, que mantêm vivas tradições centenárias como a dos tapetes devocionais que dão vida, narrativa e fé às ruas de Mariana durante a Páscoa.

Confeccionados entre a noite do Sábado de Aleluia e a manhã do Domingo de Páscoa, os tapetes devocionais são uma das tradições mais marcantes da região dos inconfidentes, atraindo fiéis e turistas de todo o mundo para contemplar as artes feitas pela comunidade em homenagem à Páscoa. A elaboração dos tapetes parte de uma parceria entre a Associação Marianense de Artistas Plásticos (AMAP) e a comunidade religiosa local, seguindo uma prática que já remonta a séculos. Os tapetes devocionais delimitam o percurso da procissão que ocorre durante a cerimônia da Missa de Páscoa, realizada no adro da Igreja de São Pedro dos Clérigos e que segue para a Catedral da Sé, onde se concluem as celebrações.
Ao longo das celebrações, o Arcebispo da Arquidiocese de Mariana, Dom Airton José dos Santos, trouxe reflexões e sermões aos fiéis presentes, destrinchando o significado dos mistérios pascais para o cristianismo. Ele fez apelos para que, em nome da fé, as pessoas passem a julgar menos umas às outras, sejam simples e humildes e cumpram os preceitos religiosos do cristianismo. Ao longo da homilia, o sacerdote também fez um apelo às famílias, “as famílias se desintegram, os filhos não olham mais para os pais com respeito – respeito, não medo – os pais não olham mais para os filhos com amor, mas como competidores”. Ele também fez um apelo para que os fiéis sigam o testemunho da ressurreição, “fazer o bem sem dizer a quem”, pregando o amor ágape, sem interesses terceiros.

As celebrações contaram com a participação de milhares de fiéis e mobilizaram toda a comunidade local, concluindo todo o ciclo litúrgico da Semana Santa de forma solene e célebre. Ao longo da semana foi possível observar uma comunidade engajada e profundamente tocada pelas cerimônias religiosas, nutrindo uma relação especialmente próxima com o clero que guiou as festividades, solenidades e reflexões.
Em entrevista para o Diário, o Padre Marcelo Santiago, Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus compartilhou sua felicidade de celebrar a fé junto à comunidade durante o período sacro, “A Semana Santa renova em nós as alegrias em Deus, nosso compromisso cristão de amar como Deus ama, de servir como Deus serve, de tornar a nossa vida verdadeiramente uma vida testemunhada nas boas obras, intensificar nossa vida orante, sacramental, a escuta e a vivência da palavra de Deus, né?”
Para o sacerdote, a celebração da Semana Santa deste ano traz consigo também um significado mais pessoal, “Para mim, a Semana Santa ela se reveste também de um caráter especial esse ano de 2026, porque eu estou num processo de tratamento de saúde, né? Isso significa que coloco nas mãos de Deus, né? Tudo ao tempo de Deus e sob seu comando para que as suas graças também, não só para mim, mas para todo o povo de Deus, cada um nas suas necessidades e anseios, se sintam contemplados”.

Sensibilizado pela sua experiência na Semana Santa, o sacerdote concluiu sua entrevista para a reportagem do Diário com um apelo singelo, “Desejo que a Semana Santa possa ser para todos nós como foi para mim, um tempo especial da graça, da bênção do Senhor, né, na vontade firme de em tudo fazer a vontade de Deus”.
Assim terminam as celebrações da Semana Santa em Mariana, reunindo a comunidade em torno da fé, amparada pela cultura, arte e união entre a religiosidade e as tradições culturais que fazem de Mariana a casa de uma das mais belas celebrações religiosas e culturais do mundo. É sob o traçado delicado dos tapetes devocionais, o esmero da figuração, a congregação de milhares de fiéis em canto uníssono, a história viva do patrimônio marianense e as confidências singelas de um dos mais destacados presbíteros marianenses que se encerram as celebrações da mais santa das semanas de Mariana.
Seguem agora alguns dos registros fotográficos da Páscoa em Mariana:


















Reportagem de Anahí Santos



